A primeira década deste século trouxe para a economia mundial algumas crises "inesperadas" e de dimensões surpreendentes. As notícias divulgadas pelos meios de comunicação indicaram que, em inúmeros casos, a retaguarda das operações de financiamento de países ou de fornecimento de bens e serviços às empresas estava semeada de atos ilícitos, negociações fraudulentas decorrentes de fortes "lobbies", muitas vezes acobertados por "doações", que permitiram o desvio de recursos vultosos.
por CARLOS ROCHA VELLOSO
A "criatividade" na formulação de novas operações através da "engenharia financeira" e a persistente ausência de "Transparência" nas relações entre governos e cidadãos, empresas e acionistas, tem sido temas recorrentes e de preocupação constante por parte de órgãos reguladores e de instituições focadas na construção e disseminação de melhores práticas de Governança em todo o mundo. O cidadão comum de países em desenvolvimento, como o Brasil, vê disseminada a percepção de que todos os "agentes públicos" (funcionários, policiais, políticos etc.) são "corruptos", mas, normalmente, não se percebe a existência e a importância do agente "corruptor" neste processo.
REMUNERAÇÃO DOS ADMINISTRADORES: DIMINUI RESISTÊNCIA NA DIVULGAÇÃO DE SALÁRIOS
Depois de muita polêmica, na qual não faltaram alegações de invasão de privacidade e de segurança pessoal, a resistência começa a dar lugar à busca por transparência na prática das companhias abertas
em relação à divulgação de quanto ganham seus executivos e conselheiros. Pesquisa realizada pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) mostra um avanço na divulgação da remuneração de administradores, determinada pela instrução 480 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), de dezembro de 2009.
por LÚCIA REBOUÇAS
"Encontramos mais dados disponíveis sobre remuneração e menos erros de preenchimento do Formulário de Referência", destaca Sandra Guerra, presidente do IBGC. A instrução CVM 480 determina que a empresas divulguem em bloco no formulário a remuneração máxima, média e mínima para ao Conselho de Administração, Diretoria Estatutária e Conselho Fiscal. Sandra afirma ainda que, houve inclusive, uma redução no número de empresas que se valem da liminar do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) do Rio, para não atender aos requisitos do formulário. De acordo com a pesquisa que abrangeu um universo de 189 empresas listadas nos vários níveis de governança corporativa (Novo Mercado, Nível 1 e Nível 2) e no índice IBrX, da BM&F Bovespa, 18,65% fizeram uso da liminar em 2012, contra 24% em 2011. A pesquisa constatou que as empresas que se utilizam usam desse recurso pagam os maiores salários. Na opinião de Sandra, o fato da média de remuneração ser maior entre elas cria um clima de incerteza e de desconforto para as partes interessadas na empresa. Apesar da redução, a liminar continua sendo um redutor da transparência.
KODAK: LIÇÕES DE ABISMO
Dedicado há várias décadas à tarefa de auxiliar empresas nos seus anseios de desenvolvimento, reestruturação ou mesmo recuperação, confesso que não pude deixar de meditar sobre a derrocada da Kodak e, especialmente, sobre suas causas. Talvez para os mais jovens, o virtual desaparecimento dessa empresa pouco signifique, mas para a geração acima dos 30, a Kodak foi tudo no registro de nascimentos, casamentos, viagens, comemorações, festas... sem falar nos filmes que a indústria cinematográfica nos propiciava.
por TELMO SCHOELER
Muitos se perguntam como é possível que um titã de 131 anos, praticamente monopolista no seu mercado, literalmente dominando o mundo da fotografia, com sua marca mundialmente reconhecida, chegou a esse ponto. A Kodak faturava muitos bilhões de dólares por ano, empregava mais de 30.000 pessoas e chegou a atingir um lucro recorde de US$ 2,5 bilhões em 1999, com suas ações cotadas a US$ 90 cada. Hoje, apenas 14 anos depois, a empresa encontra-se numa situação de falência onde ativos de US$ 5,1 bilhões não cobrem os passivos de US$ 6,75 bilhões, com as ações cotadas a US$ 0,50 cada, onde poucos empregados restantes disputam seu espólio, e ninguém, fora alguns dos credores, está disposto a lhe emprestar um centavo.
10 "MEGAFORÇAS" RELACIONADAS À SUSTENTABILIDADE QUE AFETARÃO CRESCIMENTO DAS EMPRESAS
Custo dos impactos ambientais duplica a cada 14 anos; Companhias devem esperar por alta dos custos externos, que atualmente não são indicados nas demonstrações financeiras; Empresas e formuladores de políticas devem tomar decisões conjuntas e agir diante desse cenário.
por KPMG INTERNATIONAL
AUma nova pesquisa da KPMG International identificou 10 "megaforças" que afetarão, de maneira significativa, o crescimento das empresas de modo global nas próximas duas décadas. O estudo "Espere o inesperado: construindo valor para os negócios em um mundo em mudança" ("Expect the unexpected: building business value in a changing world") explora questões como as mudanças climáticas, volatilidades relacionadas ao suprimento de energia e combustíveis, disponibilidade e custo da água e de outros recursos, assim como problemas relacionados ao crescimento demográfico dos centros urbanos. A análise examina como estas forças globais podem ter impacto sobre os negócios e indústrias, calcula os custos ambientais e convoca empresas e formuladores de políticas a conjugar esforços para mitigar futuros riscos e tomar atitudes imediatas frente às oportunidades.
REPORTE INTEGRADO
O Reporte Integrado ou Integrated Reporting - novo modelo de publicação de desempenho das empresas, que visa integrar os relatórios contábeis com os indicadores socioambientais - já saiu da gaveta. Mas, segundo especialistas, ainda falta o engajamento das companhias abertas. E disseminar essa prática é uma das missões do professor Nelson Carvalho, membro do Comitê Internacional para Relatórios Integrados "IIRC".
por MARION MONTEIRO
Ex-diretor da CVM e do Banco Central, e Diretor de Pesquisas da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), da USP, o professor Nelson Carvalho integra há dois anos o Comitê Internacional para Relatórios Integrados "IIRC" (International Integrated Reporting Committee). A iniciativa faz parte do projeto da "Global Reporting Initiative" (GRI) e da "Accounting for Sustainability" (A4S), liderado pelo Príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, e anunciada em agosto de 2010. A missão do IIRC é de criar uma estrutura globalmente aceita para a Contabilidade e para a Sustentabilidade, que reúna informações abrangentes não só financeiras, ambientais, sociais mas também de governança em um formato conciso e de fácil compreensão, de forma integrada. Além de Nelson Carvalho, só outro latino-americano faz parte do Comitê: Roberto Pedote, CFO da Natura.
FÁBIO CEFALY ASSUME ÁREA DE RI DA NATURA
A liderança da área de relações com investidores da Natura mudou. Saiu das mãos de Helmut Bossert, passando para as de Fábio Cefaly, que recentemente assumiu o posto de gerente de RI da companhia. A troca de comando, porém, não deve alterar a estratégia de atuação, nem a estrutura da área, composta atualmente por cinco profissionais.
por LÚCIA REBOUÇAS
De acordo com Alessandro Carlucci, diretor-presidente da Natura, eleita a oitava empresa mais inovadora do mundo no ranking da revista Forbes, ao lado da Apple (em 5ª posição) e Google (7ª posição), não há mudanças no curto prazo, mas o desejo de evoluir e espírito de continuidade no trabalho da área de Relações com Investidores. Fábio Cefaly afirmou que este ano, o RI da empresa segue com o desafio de cada vez mais incorporar a sustentabilidade em seu dia a dia. "Desejamos mostrar ao investidor o valor de uma gestão que integra resultados financeiros, ambientais, sociais e de governança". Cefaly ressalta que um exemplo do esforço nesse sentido ocorreu ano passado, quando realizaram os encontros com investidores socialmente responsáveis (SRI, na sigla em inglês para Social Responsible Investors) no Canadá e nos Estados Unidos. "Reunimos 21 investidores cuja decisão de investimento é balizada pelo triple bottom line (modelo de negócios praticado pela Natura e que se baseia em resultados financeiros, sociais e ambientais interdependentes)."
EVOLUÇÃO NO PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO DE REFERÊNCIA
Com o intuito de esclarecer as dúvidas dos profissionais de RI e demais envolvidos no preenchimento do Formulário de Referência, o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores), a ABRASCA (Associação Brasileira das Companhias Abertas) e a BM&FBOVESPA promoveram, no dia 19 de abril de 2012, em São Paulo, o seminário "Formulário de Referência e Empresas.net 2012"
por JENNIFER ALMEIDA
"O evento serviu para deixar o diálogo aberto com os profissionais e para que eles possam receber as orientações adequadas", informou Cristiana Pereira, diretora de Desenvolvimento da Bolsa, na abertura do evento. Diego Barreto, diretor vice-presidente do IBRI, enfatizou que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) tem permitido o diálogo constante com os RI's. Fernando Soares Vieira, superintendente de Relações com Empresa da CVM, comentou os principais pontos a serem observados na divulgação de informações e fez algumas orientações relativas às assembleias e o voto eletrônico. O superintendente da CVM falou sobre o convênio de cooperação entre a autarquia e a Bolsa, formalizando assim um acordo informal de fiscalização existente entre as entidades, com o intuito de evitar sobreposição de esforços.
SUSTENTABILIDADE: ALÉM DO MARKETING E DO PROSELITISMO
O desafio de reverter as mudanças climáticas, proteger o ambiente, garantir a produção de alimentos e o fornecimento de energia para mover o mundo e a economia exige atitudes cada vez mais responsáveis das empresas de todos os setores.
por PEDRO MELO
Assim, têm cada vez mais valor e reconhecimento as organizações que primam pela produção limpa, racionalização do uso de água e eletricidade, conscientização de seus recursos humanos para uma postura cidadã perante o Planeta e a sociedade e outras práticas inerentes ao conceito de sustentabilidade. Considerada a importância desse comportamento corporativo, é lícito e justo que as empresas que se pautam por conduta política, social e ecologicamente correta incorporem suas ações nesse campo às suas estratégias de marketing e comunicação institucional. Trata-se de uma iniciativa útil para todos, inclusive no sentido de estimular a multiplicação de projetos sustentáveis. Por outro lado, é condenável fazer o discurso e investir em propaganda quando não se tem algo concreto. Retórica não despolui, não sequestra carbono da atmosfera e, o que é mais grave, não convence todos durante todo o tempo.