A CONSTRUÇÃO DE RELAÇÕES
COM O BUY SIDE “Buy side” significa investidores – institucionais e de varejo, profissionais e pessoas físicas. Muitas pessoas físicas são tão competentes quanto os verdadeiros profissionais na coleta de informações e gerenciamento de suas carteiras. Muitas delas também têm carteiras consideráveis, avaliadas em mais de US$ 1 milhão. por WILLIAM F. MAHONEY As empresas estão focando no buy side. Esse movimento tem crescido nos últimos anos, impelido por cinco tendências e realidades: 1) Falta de cobertura sell side, reforçando o valor de abordar diretamente os investidores; 2) Oportunidade de ter influência direta e mais controle das mensagens e informações que chegam aos investidores; 3) Melhorar a capacidade de identificar as instituições que têm as melhores perspectivas de deter ações, com base em seus estilos de investimentos; 4) Mais disposição dos analistas buy side e gestores de carteira para conversar diretamente com as empresas, particularmente aquelas firmas que estão construindo capacidades internas de pesquisa; e, 5) Reconhecimento, tanto pelos executivos como pelas instituições, de que não está entre seus melhores interesses que o sell side seja a principal fonte de informações sobre as empresas. PEQUENAS & MÉDIAS EMPRESAS DE OLHO NAS GRANDES Em tempos de fusões e aquisições, pequenas e médias empresas começam a enxergar que certos conceitos de gestão utilizados por grandes corporações podem contribuir para elevar seu valor de mercado. por WALDEMIR BULLA
A INDÚSTRIA DE PRIVATE EQUITY
e seu impacto no mercado de capitais brasileiro A indústria brasileira de Private Equity é recente, porém seu ritmo de crescimento é surpreendente e seu impacto na economia é particularmente visível, principalmente quando se observa a evolução do mercado acionário ocorrida a partir do ano de 2004. O PODER DOS DIVIDENDOS Um dos motivos que levam muitas pessoas a investirem em ações é a expectativa de poder, no futuro, viver dos dividendos de suas carteiras. Porém, ao receber os primeiros dividendos, surgem questionamentos sobre o caminho adotado. Será que está realmente correto? Para responder esta questão, é preciso saber que os dividendos pagos são frações do lucro da empresa distribuídas igualmente entre os acionistas de mesma classe. A companhia Vale, por exemplo, apurou um lucro de R$ 10,248 bilhões durante o ano de 2009. Deste lucro, a empresa reteve 48,29% para reinvestimento e distribuiu aos acionistas 51,71%. Este percentual é o que chamamos de “pay-out”. O mínimo exigido pela legislação brasileira é de 25% para qualquer empresa lucrativa. Ao distribuir quase R$ 5,3 bilhões entre os seus acionistas, a empresa dividiu este montante pela quantidade total de ações. Neste caso, 5.365.304.100 papéis. Ou seja, cada ação recebeu R$ 0,9877 em dividendos. Assim, um investidor que possuía um lote de 100 ações na data da distribuição dos dividendos recebe R$ 98,77, de acordo com dados do INI e da BMF&FBOVESPA. PETROBRAS: A MARCA
MAIS VALIOSA DO BRASIL As pesquisas “As Marcas Mais Valiosas do Brasil” (só marcas brasileiras) e “As Marcas Mais Fortes no Brasil” (marcas nacionais e internacionais presentes no País), desenvolvidas pela BrandAnalytics e publicadas no final de abril pela revista IstoÉ Dinheiro, indicam a Petrobras como a marca mais valiosa do País e a terceira mais forte. Ainda, no BrandZ - ranking anual da Millward Brown publicado também em abril pelo jornal britânico Financial Times – a companhia aparece como a 73ª mais valiosa do mundo. por EDUARDO TOMIYA A primeira coisa a ressaltar é que é um grande orgulho para todos os brasileiros ter a Petrobras nesta posição no Brasil e no mundo. Como fizemos este cálculo e o que está por detrás deste valor? A premissa fundamental de qualquer avaliação de marcas é que estamos medindo o valor extraído dos ativos intangíveis. Em edições anteriores da revista RI caracterizamos que o valor dos intangíveis, segundo o autor Patrick H. Sullivan, é composto dos ativos que geram valor e dos que extraem valor. WANGARI MAATHAI:
Como bons exemplos de idealismo podem inspirar o governo das empresas? Wangari Maathai nasceu em 1940. Filha de fazendeiros, estudou fora do seu país, Quênia, graduando-se em biologia no Mount Saint Scholastica College, em Atchison, Kansas (1964). Fez mestrado nos EUA, na University of Pittsburg (1966). Retornando à África, passou a coordenar um departamento da Universidade de Nairóbi. Dirigiu a Faculdade de Medicina Veterinária, sendo a primeira mulher da África Central a obter um título de PhD na University of Nairobi (1971). Sua formação abrange, ainda, estudos na Alemanha. por MÔNICA MANSUR BRANDÃO Maathai serviu ao National Council of Women of Kenya (1976-87), tendo sido presidente do seu conselho (1981-87). Foi a pessoa responsável pela introdução do conceito de plantio de árvores por cidadãos comuns (1976). Em 1977, criou o Movimento Cinturão Verde. Em 2002, tornou-se ministra de governo do Quênia. Em 2006, o presidente da França, Jacques Chirac, agraciou a professora Wangari Maathai com a mais importante honraria da França: a Legião de Honra. GOVERNANÇA
deve ter maior influência nas decisões de investimento A governança pode não determinar um investimento – talvez nem deva mesmo – mas e a falta dela? Este artigo procura revisitar alguns conceitos de investimento à luz dos avanços no marco regulatório e das práticas empresariais no que tange a governança corporativa. O objetivo é tão somente informar e debater esta importante questão. Sendo assim, vamos começar pelo racional de formação do valor e do processo de tomada de decisões de investimento. por MARCELO DOMINGOS Tradicionalmente há três maneiras de estabelecer o valor de uma empresa. O valor de liquidação é o estimado valor obtido se todos os ativos forem vendidos e as obrigações saldadas. O valor do mercado, no caso de uma empresa listada, é o valor imputado pelo preço de negociação em bolsa. E o valor como uma unidade operacional é o estimado valor atual dos fluxos de caixa que o dono espera receber da empresa no futuro. Enxergamos a bolsa como simplesmente um lugar onde são executadas operações de compra e venda, e como seu preço um apanhado de parâmetros escolhidos por cada investidor para sua tomada de decisão. Interessante focar aqui que a cotação é um dos parâmetros de preço, comumente destoante do valor justo (por isto os ganhos em bolsa acontecem).
GOVERNANÇA,
RISCO & COMPLIANCE Este tema, da mais alta importância e relevância no contexto do mundo corporativo hoje, muito me motiva e entusiasma a cada ocasião que tenho para expô-lo. por VLADIMIR BIDNIUK 12ª edição do Encontro Nacional de RI A 12ª edição do Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais acontece, nos dias 14 e 15 de julho de 2010, no Sheraton WTC Hotel, em São Paulo (SP). O evento que é realizado pelo IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores) e ABRASCA (Associação Brasileira das Companhias Abertas) tornou-se obrigatório na agenda dos profissionais de Relações com Investidores e da comunidade financeira. A edição de 2010 tem como tema: “Os Desafios do RI e o Mercado de Capitais na Retomada do Crescimento”. O evento já tem patrocínio das empresas Augurium; Banco do Brasil; Banco Bradesco; Banco do Nordeste do Brasil; Banco Santander; Bloomberg; BM&FBOVESPA; BNDES; Bowne; Cemig; Cetip; Chorus Call; Deloitte; Fitch Ratings; Greenberg Traurig; Itaú Unibanco Holding S/A; JP Morgan; Lincx; Motta, Fernandes Rocha Advogados; NYSE; Petrobras; PR Newswire; PricewaterhouseCoopers; Sabesp; SR Rating; Sustentax; TAM; The Bank of New York Mellon; The Media Group e Valor Econômico.
Hong Kong de olho no Brasil
A Hong Kong Stock Exchange (HKEx) espera em breve começar a listar empresas brasileiras, em mais um sinal do seu ambicioso plano de expansão. A HKEx está trabalhando para atrair emissores internacionais para Hong Kong e este ano foi recompensada com as primeiras listagens da Rússia e do Canadá. Agora, a bolsa expandiu seu foco para incluir o Brasil. "Recentemente, temos recebido consultas de emissores potenciais com sede em outro países, inclusive no Brasil, o que é encorajador", comentou Charles Li, presidente-executivo da HKEx. Uma das empresas brasileiras pensando em se listar é do setor de recursos naturais, revelou Ronald Arculli, chairman da HKEx, em uma entrevista à Bloomberg TV, embora tenha se recusado a dar detalhes mais específicos. A mudança de foco para o Brasil vai abrir uma nova frente na crescente concorrência entre a HKEx e outras bolsas internacionais. A bolsa asiática lançou o desafio em Londres em janeiro último, quando convenceu a empresa de alumínio Rusal, da Rússia, a levantar $ 17,3 bilhões em Hong Kong. Tradicionalmente, a Bolsa de Londres tem sido o lar das empresas mineradoras e de metais da Rússia e da Ásia Central. Em contrapartida, no mercado sul-americano, a HKEx competirá, principalmente, com a NYSE, que é o mercado tradicional para as empresas brasileiras que se listam no exterior. Também em janeiro, a HKEx trouxe ao mercado a SouthGobi Energy Resources, uma produtora de carvão com sede em Vancouver, Canadá, levantando $ 462 milhões. Charles Li destaca o seu desejo de expansão internacional: "Nosso objetivo é o de garantir status à HKEx como uma bolsa líder global, combinando as melhores características dos mercados chinês e internacional, e posicionar a HKEx como a principal bolsa da China para investidores e emissores globais, e também a principal bolsa internacional para os emissores e investidores chineses”. Em 2010, a HKEx já visitou o Canadá, Rússia e Vietnã para se encontrar com potenciais candidatos.
A reforma do sistema financeiro
Quando eclodiu a crise financeira, cujo ápice foi a quebra do Lehman Brothers em setembro de 2008, a sensação era que uma reforma do sistema financeiro mundial seria urgente para prevenir que situações como as que provocaram aquela grave situação voltassem a acontecer. por ROBERTO TEIXEIRA DA COSTA No calor da crise, parecia pouco provável que os reguladores e legisladores tivessem a cabeça fria para propor um novo arcabouço de medidas para o sistema. Mal comparando, é como se no meio de um incêndio, estivéssemos discutindo com engenheiros e arquitetos uma nova planta para um edifício em chamas. Era fundamental, em primeiro lugar, apagar o fogo e minimizar os prejuízos. Passados vários meses, a crise no sistema financeiro parece controlada e várias instituições, que foram socorridas pelas autoridades, mostram uma reação e em alguns casos já retornaram os empréstimos governamentais que lhes foram concedidos e operam com rentabilidade. No entanto, estamos ainda distantes de poder afirmar que as consequências e o custo da crise estejam superados. |
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Nº 143 • MAI/10 |
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