Em Pauta

MÃO PESADA DO GOVERNO ASFIXIA O MERCADO DE CAPITAIS

A crescente intervenção do governo da presidente Dilma Rousseff tem contribuído para perdas bilionárias no mercado de capitais e para uma situação paradoxal na captação de recursos. Em nome do crescimento econômico do país, o governo vem editando Medidas Provisórias (MP) e interferindo direta e indiretamente em empresas de grande visibilidade no mercado, aumentando o risco regulatório e gerando incertezas que afastam ou colocam em quarentena investidores locais e estrangeiros. Com isso, está estreitando um dos importantes canais de captação de recursos para investimentos, dos quais o país é carente para viabilizar esse mesmo crescimento.

A MP 579, que antecipa a renovação de concessões de geração e transmissão de energia no setor elétrico, contribuiu para a redução de R$ 36 bilhões - registrada este ano até 22 de novembro - no valor de mercado das companhias elétricas listadas no Ibovespa da BM&F Bovespa, conforme levantamento da empresa de consultoria Economatica. No mesmo período, duas outras empresas de outros setores de peso no Ibovespa, termômetro do mercado de capitais, tiveram perdas expressivas por conta da intervenção direta do governo como foi o caso da Petrobras e indireta como o do Banco do Brasil.

Puxado pela decisão do governo de não repassar o aumento do preço do petróleo para o dos combustíveis, que prejudica a geração de caixa da Petrobras, o valor de mercado da empresa apresentou redução de R$ 43,8 bilhões (15%). Já o do Banco do Brasil, um dos bancos públicos usado como carro chefe para induzir a redução das taxas de juros para o consumidor, diminuiu em R$ 8,3 bilhões (12,2%), conforme a Economatica.

De acordo com estudo realizado pelo Insper - Instituto de Ensino e Pesquisa, no setor elétrico, desde a edição da MP, evento de maior intervenção no setor, até 7 de novembro deste ano, o valor de mercado das empresas analisadas (CTEEP, Light, Eletropaulo, Copel e Cemig) caiu 24,1%. Ainda segundo o estudo, há uma tendência de valorização menor em setores mais regulados, aqueles onde o governo tem uma capacidade marcante de influenciar preços e investimentos – como os setores bancário, de telecomunicações, de transporte, elétrico e petrolífero. De abril deste ano até outubro os preços das ações de empresas privadas em setores regulados caíram em média 36,5%, enquanto em setores menos regulados, a queda foi de 16%, aponta o estudo.


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