2010: DESAFIOS À VISTA!
O ano de 2010 será o divisor de águas paras as áreas de Relações com Investidores das empresas abertas brasileiras. As mudanças previstas pelas novas instruções – nº. 480/09 e 481/09 - da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a adoção das práticas contábeis internacionais (IFRS) são os dois principais desafios e o período que se segue é de adaptação. por ANA BORGES CULTURA DE CIA. ABERTA: Você ainda vai precisar dela. Há que se destacar que, em uma empresa que era fechada - e se a estrutura anterior ao IPO era familiar isso tende a ser mais forte -, o RI é visto pelas demais áreas como um departamento que está sempre cercado pelos “donos”, que só viaja e participa de eventos. Isso quando sabem que a área de RI existe ou têm noção do que ela faz. por PAULO HENRIQUE PRAES IPOs, SUSTENTABILIDADE por ROBERTO GONZALEZ A MARCA EM PROCESSOS Estamos vivendo um momento bastante particular de uma série de operações de fusões e aquisição no Brasil. Isto acontece por conta do crescente movimento de consolidação em inúmeros segmentos, aumentando a competitividade de conglomerados brasileiros que serão no futuro nossas multinacionais brasileiras. COMO MENSURAR A FUNÇÃO DE RI EM É importante medir o valor das relações com investidores. Os profissionais de RI há muito sentiram que precisavam poder medir o valor da função como uma forma de justificar sua existência para a alta administração e aumentar seu papel e importância na empresa. por WILLIAM F. MAHONEY Isso é bom. Como uma prática, as relações com investidores podem se beneficiar significativamente do fato de terem uma estrutura de medidas que forma a base para a avaliação do programa dentro da empresa. A indústria de RI pode até desenvolver um conjunto de normas que são aceitas de forma geral pelos profissionais e administrações das companhias. Estas determinariam quais normas aplicariam com base em suas concepções da função de RI e as metas e os objetivos específicos a serem alcançados. COMO FAZER A ESTRATÉGIA DA EMPRESA Elaborar o planejamento estratégico de uma empresa é importante e pode ser emocionante e enriquecedor para quem participa dessa atividade, mas o planejamento em questão é apenas parte de um processo muito mais abrangente de governança e gestão da estratégia, que compreende uma série de desafios, sobre os quais provavelmente muitas organizações não têm consciência. por MÔNICA MANSUR BRANDÃO Em primeiro lugar, é preciso que a estratégia faça parte, verdadeiramente, da agenda dos dirigentes da organização, e quando falamos em dirigentes, referimo-nos aos conselhos de administração e às diretorias executivas. Em que medida essas instâncias estão envolvidas, de verdade, com a estratégia, na realidade prática do seu trabalho, indo além do que está estabelecido na legislação e nos estatutos sociais? O conselho de administração participa ativamente das discussões estratégicas, contribuindo de fato para sua construção, ou meramente respalda diretrizes apresentadas como receitas prontas pela diretoria? Quanto à diretoria, em que medida ela se dedica à estratégia ou ser torna refém de questões da gestão no dia-a-dia? MERCADO DE CAPITAIS: A dor de crescimento é muito comum nas consultas em reumatologia pediátrica. Como nosso mercado de capitais reergueu-se, na verdade, nos últimos anos (o Novo Mercado é de 2001!), creio ser adequado esperar, similarmente, algumas dores inerentes a este processo. Neste caso, não se trata de uma criança que conhece o mundo a cada dia, mas a inspiração nos vem para tratarmos da relação do mercado com um assunto igualmente novo: Governança Corporativa (GC). por MARCELO DOMINGOS O arcabouço institucional brasileiro evoluiu muito nos últimos anos, e podemos dizer que hoje não existe um só player fundamental que não conheça o termo GC e que concorde, qualquer que seja seu domínio sobre esta matéria, que boas práticas de GC têm muita importância. Acontece que este assunto vem, historicamente, ganhando corpo e relevância, sempre impulsionado nos momentos de perda de muito dinheiro por grande número de investidores. Em algumas destas ocasiões a fragilidade na GC pode detonar uma crise, tal qual a vivida recentemente com os subprimes (diga-se, de passagem, que, a julgar pela empolgação de alguns preços parece que muitos já a esqueceram). Também em 2007-08 diversas companhias viram-se contaminadas pelo baixíssimo disclosure envolvendo suas operações. Eram empresas com estruturas de governança que, em princípio, atendiam às condições exigidas pelo Mercado. De forma ampla, todos os avanços relevantes em GC sucederam alguma crise. No pain, no gain! 2010: A TEMPORADA DAS
ASSEMBLÉIAS ANUAIS um ponto de inflexão na evolução da Governança Corporativa 2010, o início de uma nova década, encontra empresas e investidores num momento de transformação. A crise financeira global e a retração econômica minaram a confiança pública nos mercados financeiros e criaram uma suspeita generalizada nas empresas listadas e nos intermediários financeiros. por JOHN C. WILCOX No despertar da catástrofe, as empresas em todo o mundo se viram coletivamente na defensiva. Além de dirigirem seus negócios em épocas difíceis, elas devem trabalhar para restaurar a confiança pública na empresa privada e reafirmar os seus compromissos com a boa governança corporativa e com a criação de valor a longo prazo. Os investidores institucionais e outros intermediários financeiros também estão na defensiva. Os bancos, as empresas de serviços financeiros, os hedge funds e as firmas de investimentos no centro da crise estão sob intenso escrutínio pelos governos, reguladores e clientes “irritados”. Enormes perdas nas carteiras durante a crise levaram à reclamações de que os investidores operaram com uma mentalidade de cassino, estimularam as práticas de bolhas no mercado, toleraram conflitos de interesses, assumiram excessivos riscos, lucraram com estratégias de curto prazo e comprometeram a segurança financeira de longo prazo dos seus clientes. O PESADELO DA
PENHORA “ON LINE” É certo que a inadimplência, favorecida pela morosidade da Justiça, aflige o credor e acarreta o desgaste da imagem do Poder Judiciário. Como solução a esse problema, buscando a efetividade do processo, várias alterações vem sendo feitas ao Código de Processo de Civil. Para isso surgiu a penhora on-line, criada inicialmente como instrumento tecnológico tendente a facilitar a agilização do processo ao garantir o pagamento de débitos. ENTREVISTA: SEAN NEMOTO
Diretor de RI, Fujitsu Limited Sean Nemoto é diretor de Relações com Investidores, do escritório em Nova York, da Fujitsu Limited – empresa aberta com sede em Tóquio, líder no fornecimento de soluções de TI e comunicações focadas no cliente para o mercado global. Em 2008, as receitas consolidadas da companhia foram de 4.7 trilhões de yens (US$ 47 bilhões). Nemoto, que ingressou na Fujitsu em 1993, atuou na empresa como consultor de negócios na Internet - antes de juntar-se ao time de RI, em 2000. Por 5 anos foi gerente de RI no escritório da empresa em Londres, antes de assumir sua atual posição em Nova York - onde é responsável por todos os aspectos da atividade de RI da Fujitsu na América do Norte. Acompanhe a entrevista. SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL
As empresas brasileiras vivenciam a convergência de duas grandes correntes que estavam separadas: a Governança Corporativa e a Sustentabilidade. Com o objetivo de contribuir para as discussões sobre a incorporação de ações sustentáveis nas organizações, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) lança o primeiro volume da série “Experiências em Governança Corporativa”, intitulado “A Prática da Sustentabilidade: Desafios vividos por agentes da Governança Corporativa”. “Grande parte das publicações de negócios tem como referência as empresas. Com esta série, pretendemos deslocar o foco para as pessoas que, realmente, são responsáveis pelas decisões nas instituições”, justifica Gilberto Mifano, vice-presidente do CA do IBGC. O projeto foi baseado em uma série de sete entrevistas com agentes da Governança Corporativa, que atuam em cargos de liderança ou como acionistas, investidores e conselheiros. Os participantes foram Claude Ouimet, Eduardo Bom Ângelo, Luiz Ernesto Gemignani, José Luiz Majolo, Marcos Egydio Martins, Ralph D. Wehrle e Renata de Camargo Nascimento. “Com o guia, o IBGC pretende estimular a reflexão sobre os novos caminhos e ideias no processo de alinhamento da estratégia e da gestão das empresas com a sustentabilidade”, explica Carlos Eduardo Lessa Brandão, coordenador do Grupo de Estudos de Sustentabilidade para as Empresas (GESE), comitê responsável pelo desenvolvimento do projeto. Dando continuidade à publicação anterior do IBGC, o “Guia de Sustentabilidade para as Empresas”, que apresentou o tema de forma conceitual e abrangente, o GESE optou por examinar com mais profundidade a natureza desses desafios, a partir da experiência prática de quem os enfrentam. Esta é mais uma iniciativa do IBGC para cumprir seu propósito de manter-se como a principal referência de Governança Corporativa no Brasil. CORPORAÇÕES AINDA CONSIDERAM
UM DESAFIO SOBREVIVER A 2010 O ambiente de negócios evoluiu em relação ao ano passado, mas as companhias ainda estão inseguras quanto à recuperação econômica. Essa é uma das conclusões da pesquisa “Lessons from change – findings from the market”, divulgada no início de fevereiro pela Ernst & Young. O estudo foi realizado com altos executivos de 900 das maiores companhias globais. por ERNST & YOUNG Em janeiro do ano passado, o estudo Opportunities in Adversity, sobre as estratégias prioritárias para 2009, mostrou que três quartos das empresas estavam focadas em sobreviver à crise e que o crescimento exponencial havia deixado de encabeçar a lista de suas principais preocupações, contra apenas 19% que pretendiam tirar proveito da recessão para criar novas oportunidades de negócios. |
||
Nº 140 • FEV/10 |
| ► Mercado de Capitais► Meelhores Práticas► Sustentabilidade► Branding► Enfoque► Governança & Mercado► Mercado Global► Jurídico► IBRI Notícias► Disclosure► Opinião |
