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Governança

GOVERNANÇA DO FUTURO: NAVEGANDO PELA ERA DA AMBIDESTRIA CORPORATIVA

Como as organizações estão redefinindo a governança corporativa ao equilibrar a sabedoria das tradições com o ímpeto da inovação
A governança corporativa, ao longo da história, tem sido um processo contínuo de evolução e refinamento. Desde os primeiros conselhos de administração, que surgiram para supervisionar e orientar empresas, até as complexas estruturas de governança de hoje, temos testemunhado uma transformação significativa neste campo. Essa evolução reflete um equilíbrio delicado entre preservar as tradições e práticas comprovadas e integrar inovações necessárias para corrigir falhas, aprimorar controles e responder a novos desafios.

A história da governança nos mostra que as tradições e práticas estabelecidas forneceram um quadro de estabilidade e confiança, essenciais para o sucesso empresarial. Essas tradições, incluindo a transparência nas operações, a responsabilidade perante os stakeholders e a independência do conselho, formaram a espinha dorsal da governança corporativa eficaz, assegurando a integridade e a confiabilidade nas operações corporativas.

No entanto, a adesão rígida apenas às tradições, sem acomodar a necessidade de mudança e inovação, pode levar à estagnação. Por outro lado, a inovação constante, sem um respeito pelas práticas estabelecidas, pode resultar em um ciclo de reinvenção contínua que impede a consolidação de processos eficazes. A verdadeira evolução na governança corporativa, portanto, requer um equilíbrio entre manter o que tem funcionado e adotar novas abordagens para corrigir erros, aprimorar controles e enfrentar os desafios emergentes do cenário empresarial moderno.

Este equilíbrio é onde reside a essência da ambidestria na governança corporativa. Ela implica na capacidade de uma organização de manter suas raízes e valores fundamentais, ao mesmo tempo em que permanece ágil e adaptável às novas realidades, como os avanços tecnológicos e as mudanças nas expectativas dos stakeholders.

A Ambidestria nas Empresas: Operação e Inovação
O conceito de ambidestria nas empresas envolve muito mais do que simplesmente equilibrar operações existentes com inovações futuras. Ele é fundamental para a sobrevivência e prosperidade das organizações no dinâmico ambiente empresarial de hoje. A ambidestria corporativa refere-se à capacidade de uma empresa de gerenciar e otimizar suas operações atuais para garantir eficiência e lucratividade (exploração) enquanto simultaneamente investe em novas ideias, tecnologias e processos (exploração) que podem abrir caminho para o crescimento futuro.

Eficiência Operacional: Esta faceta da ambidestria concentra-se na otimização e aprimoramento das operações e processos existentes. Trabalhar para aumentar a eficiência, melhorar a qualidade dos produtos e serviços e maximizar a rentabilidade. Concentrar-se em aperfeiçoar o que já se faz bem, utilizando práticas e estratégias testadas e comprovadas. Este aspecto é crucial para manter a competitividade no curto prazo e para garantir uma base sólida sobre a qual a inovação pode ser construída.

Inovação e Crescimento: Por outro lado, é preciso conciliar a busca por novas oportunidades e a adoção de inovações. Isso inclui investir em tecnologias emergentes que podem transformar as operações de negócios e abrir novos mercados. Também envolve a incorporação de práticas de ESG, reconhecendo a crescente importância de operar de maneira sustentável e socialmente responsável. Este lado da ambidestria é crítico para o crescimento a longo prazo, permitindo que as empresas se adaptem, evoluam e permaneçam relevantes em um ambiente de negócios em constante mudança.

A verdadeira ambidestria nas empresas exige uma liderança que possa equilibrar esses dois modos operacionais aparentemente contraditórios. Isso implica não apenas na habilidade de adotar novas tecnologias e inovações, mas também na capacidade de manter e valorizar as eficiências e práticas existentes. É uma dança delicada entre manter o que funciona e correr riscos calculados para inovar, o que é fundamental para uma governança corporativa eficaz e adaptativa.

Aplicação na Governança Corporativa
A implementação da ambidestria na governança corporativa é essencial para garantir que as empresas possam navegar com sucesso no ambiente empresarial moderno, caracterizado por mudanças rápidas e desafios inéditos.

Manutenção das Tradições: As tradições em governança, como a transparência nas operações, a responsabilidade perante os stakeholders e a independência do conselho, são pilares que têm sustentado a eficácia da governança corporativa ao longo do tempo. Elas asseguram a integridade e a confiabilidade nas operações corporativas e oferecem um quadro de referência estável para a tomada de decisões. A manutenção dessas práticas tradicionais é fundamental para garantir a continuidade e a confiança no sistema de governança.

Incorporação de Inovações: Paralelamente, a governança moderna exige uma resposta adaptativa a desafios e oportunidades emergentes. Isso envolve a integração de inovações tecnológicas como a cibersegurança, a inteligência artificial para análise de dados, a computação em nuvem, e a adoção de práticas de ESG. Essas tecnologias e abordagens não só atendem às demandas contemporâneas por responsabilidade corporativa, mas também abrem caminho para a sustentabilidade a longo prazo da empresa. A integração dessas tecnologias e práticas inovadoras deve ser feita de forma que complemente e aprimore as tradições de governança, e não substituindo-as integralmente.

ESG (Ambiental, Social e Governança): A importância crescente de questões ambientais, sociais e de governança no cenário empresarial moderno não pode ser subestimada. A integração de práticas de ESG na governança corporativa reflete uma resposta proativa às demandas por uma maior responsabilidade corporativa e sustentabilidade. Isso inclui não apenas o cumprimento de regulamentações, mas também a adoção de uma visão mais holística que abrange a ética empresarial, a responsabilidade social e a gestão ambiental.

O segredo da ambidestria na governança corporativa reside na manutenção de um equilíbrio dinâmico entre tradição e inovação. Esta abordagem requer flexibilidade e adaptabilidade, onde as práticas tradicionais são respeitadas e mantidas, enquanto se acolhem e integram novas ideias e tecnologias conforme necessário.

Estratégias para a Ambidestria em Governança
A adoção de uma abordagem ambidestra na governança corporativa requer estratégias bem delineadas que permitam às empresas balancear tradições e inovações eficazmente. Estas estratégias devem ser integradas em todos os níveis da governança para garantir adaptabilidade e resiliência contínuas.

Equilíbrio entre Práticas Tradicionais e Inovação: A governança deve preservar práticas tradicionais eficazes, como a realização de reuniões regulares do conselho, a observância rigorosa de padrões éticos e a transparência nas operações. Simultaneamente, deve-se estar aberto a inovações. Isso pode incluir a adoção de novas tecnologias para comunicação e análise de dados, além da implementação de abordagens inovadoras para resolver problemas complexos.

Adaptação às Mudanças do Mercado e Tecnologia: A governança precisa estar preparada para mudanças rápidas no mercado e na tecnologia. Isso inclui uma atitude proativa em relação a tendências emergentes, como a digitalização, a inteligência artificial para análise de dados e a cibersegurança. A capacidade de adaptar estratégias de governança para abraçar essas mudanças é crucial para manter a empresa à frente de seus concorrentes.

Integração de Considerações ESG: Integrar aspectos de ESG na governança é vital para assegurar que a empresa esteja alinhada com os valores contemporâneos e as expectativas dos stakeholders. Isto implica em avaliar impactos ambientais, garantir práticas de trabalho éticas e promover uma governança transparente e responsável.

Cultura de Aprendizado e Inovação: Promover uma cultura corporativa que valorize a inovação e o aprendizado contínuo, ao mesmo tempo que respeita e mantém as tradições. Isto inclui o incentivo à formação e desenvolvimento contínuos dos membros do conselho, a adoção de uma abordagem aberta a novas ideias e a criação de um ambiente onde o risco calculado e a experimentação sejam encorajados.

Tomada de Decisão Equilibrada e Informada: Utilizar dados e insights fornecidos pela IA para informar decisões estratégicas, equilibrando-os com a experiência e o conhecimento tradicional. As decisões devem refletir uma combinação de análise de dados avançada e sabedoria convencional, assegurando que a governança seja tanto inovadora quanto fundamentada.

Essas estratégias, quando implementadas eficazmente, permitem que as empresas mantenham um equilíbrio saudável entre manter suas tradições e se adaptar às exigências de um mundo empresarial em constante evolução.

Conclusão
A implementação da ambidestria na governança corporativa representa mais do que uma estratégia; é uma necessidade vital para assegurar a sustentabilidade e o sucesso das organizações no cenário empresarial contemporâneo. O equilíbrio entre tradição e inovação é essencial para criar uma governança que seja resiliente, adaptativa e capaz de enfrentar desafios contemporâneos, mantendo ao mesmo tempo a integridade e os valores fundamentais da empresa.

Este equilíbrio dinâmico entre o passado e o futuro requer uma compreensão profunda das práticas e princípios tradicionais de governança, bem como a disposição e capacidade para abraçar novas tecnologias, ideias e abordagens. A habilidade de ser ambidestro na governança corporativa não é apenas benéfica para a gestão eficaz da empresa, mas também assegura que a empresa seja percebida como responsiva, responsável e à frente do seu tempo, fortalecendo sua posição no mercado e aumentando a confiança dos stakeholders.

Além disso, a governança ambidestra garante que as empresas não apenas atendam às demandas atuais do mercado, mas também estejam preparadas para as incertezas e oportunidades do futuro. Este equilíbrio fornece um alicerce sólido para a inovação sustentável, permitindo que as empresas explorem novos horizontes sem perder de vista as práticas e os valores que formam a base do seu sucesso.

Em conclusão, a ambidestria na governança corporativa é fundamental para a evolução e a prosperidade contínua das organizações. Ao abraçar este equilíbrio entre tradição e inovação, as empresas podem assegurar um futuro mais resiliente, sustentável e bem-sucedido, mantendo-se relevantes e competitivas em um mundo em constante mudança.

Marcelo Murilo
é Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Palestrante, Mentor, Conselheiro, Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy e Especialista do Gerson Lehrman Group e da Coleman Research – Fala sobre Inovação, Governança e ESG.
marcelo.murilo@benner.com.br


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