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Liderança

LÍDER TRIPLE A: A RELAÇÃO QUE AGREGA VALOR SUSTENTÁVEL NAS ORGANIZAÇÕES

Nada será como antes, amanhã ou depois de amanhã. Milton Nascimento referenda a inevitabilidade da mudança e a passagem do tempo. Nesse início de ano, pensando sobre visão de futuro e a necessidade de engajar mudanças com vistas a geração de valor sustentável nas empresas, refleti sobre as oportunidades geradas pela relação positiva do impacto gerado pelas lideranças, nas empresas reconhecidamente mais valorizadas no mercado. Quais as competências chave de líderes capazes de influenciar o desempenho, a competitividade e a reputação das empresas?

No mundo dos negócios cada vez mais dinâmico e em evolução acelerada, o papel do líder traz impacto nas organizações e pode ser identificado como o segredo das empresas que vencem desafios e prosperam em ambientes onde convivem múltiplas gerações. Agregado ao mindset de crescimento, à inovação empresarial, o alinhamento de valores, cultura e o propósito, remete a importância do fortalecimento das competências de líderes, para que sejam inspiradores, atingindo seus resultados e objetivos através das pessoas. Empreendedores, como líderes de seus negócios, precisam estar preparados constantemente para construírem excelentes equipes em bases sólidas a fim de vencer os desafios e ampliar o valor do seu negócio.

Ram Charan, reconhecido como um dos maiores experts em liderança e estratégia empresarial indica que um ótimo líder é aquele que persiste, se dedica e possui, acima de tudo, disciplina. É somente por meio da perseverança, da vontade de crescer e vencer que vem o sucesso da liderança. Em evento do HSM Management no Brasil, ressaltou tendências para as lideranças: reconhecer que a economia do futuro é digital, a experiência do cliente é o cerne de maior atenção nas empresas, que líderes precisam ser disruptores, lidar muito bem com as mudanças e por fim, o mais importante, não se tornarem obsoletos, através do poder do conhecimento. Estamos na era do conhecimento e ter habilidades para criar o futuro só depende de nós.

Por essa razão, o impulso de valor nas empresas é fortemente motivado pela existência de líderes que cumprem seu papel de desenvolver pessoas gerando resultados estrategicamente sustentáveis. Líderes que buscam desenvolver suas competências socioemocionais são capazes de engajar times a realizarem resultados estratégicos, gerando maior valor para o negócio das empresas onde atuam. O GPTW, ‘Great Place to Work’, afirma que bons líderes constroem melhores empresas. São as lideranças que, se bem-preparadas, engajam os funcionários a seguirem convergentes aos objetivos, incentivam e inspiram o time, e criam vínculos de confiança e parceria no grupo.

Segundo o Gallup, 70% das variações de engajamento das equipes estão relacionadas aos gerentes imediatos e pesquisa sobre rotatividade de funcionários nas empresas, indica que 17% de funcionários deixam as empresas em razão de seus gerentes imediatos, seja por falhas de comunicação, recursos inadequados ou falta de oportunidades para crescimento. Considerando essa informação, é essencial iluminar valores, propósito e cultura. O mercado recebe hoje líderes de novas gerações que convivem com muitos modelos de liderança diferentes entre si. Núcleos de trabalho atuam hoje com times que nos exigem habilidades mais relacionais. Todo líder precisa desenvolver uma boa dose de autoconhecimento para conviver e liderar nesses tempos mutantes. O autoconhecimento é uma chave mestra, um elemento essencial para que os relacionamentos interpessoais potencializem o bom alinhamento estratégico na carreira do líder. Gerenciar emoções e lidar com espírito de equipe, exige que o líder bem-preparado saiba identificar o seu real valor. Essa não é questão simples e tampouco possui fórmula mágica, mas sim prática e aprendizado contínuo.

Ser líder é realizar constantemente uma afirmação de valores, alinhando-os com os da empresa onde atua. É premente que a conduta do líder fortaleça a cultura organizacional. A importância de criar pontes das conexões pessoais do líder com o propósito empresarial faz com que aqueles que querem ser a diferença no mundo busquem empresas que possam compartilhar genuinamente seus valores. Segundo a 6a edição do Código de Governança do IBGC , o termo partes interessadas ou stakeholders aparece nada menos que 50 vezes. Por isso, desenvolver lideranças nas empresas é trazer referências e conhecimento para promover a boa governança corporativa por meio da disseminação das melhores práticas. Ao desenvolver habilidades de lideranças, a partir de princípios do novo código, as organizações mostram o seu comprometimento em alinhar interesses; prevenir, mitigar e tratar conflitos; e gerar valor tangível e intangível para todas as partes interessadas, inclusive os funcionários, considerando os impactos na economia, sociedade e meio ambiente. Por fim, engajar as lideranças com atitude cria um movimento intencional cujo objetivo é melhorar o processo decisório, o desempenho, a reputação, o retorno econômico e a longevidade das empresas.

Do recente material da McKinsey sobre as oito prioridades para CEOs em 2024, duas das oito prioridades me chamaram atenção. A primeira relacionava-se aos superpoderes identificados das empresas que admiramos. Competências reputacionais que facilmente conseguimos identificar e que levam empresas a serem mais admiradas e terem desempenho superior, criando diferenciação no mercado. Penso que essas competências são competências culturais alinhadas às lideranças centrais dessas empresas. A segunda prioridade trazia no seu título “Aprenda a amar seus gerentes intermediários” e afirma que ”As empresas precisam repensar sua filosofia sobre os gerentes médios e reconhecê-los pelo que realmente são: o núcleo da empresa.”

O ambiente de negócios exige cada vez mais, flexibilidade e mindset de crescimento, a adaptabilidade é palavra de ordem. Nós como líderes, não devemos esquecer que, em um mundo volátil, incerto e ambíguo, somos parte de organizações para direcionarmos resultados sustentáveis, e esse mindset não pode ser dissociado da cultura que permeia a empresa. Sendo empreendedor ou empresário, oriente os valores e propósito da sua empresa, também para promover a evolução da consciência das lideranças médias nas sua empresa engajando-os a ir além dos resultados. O capitalismo consciente engaja stakeholders e permitirá obter de fato, resultados mais sustentáveis e longevos.

Líderes empresariais precisam se transformar em lideranças que agregam mais valor e representam menor risco para seus investidores. Em alusão às classificações de ativos Triple A ou AAA, a classificação mais alta atribuída pelas agências de rating, identifiquei as competências de transformação do Líder em um Líder AAA. O arquétipo do Líder AAA é um modelo mental que embasa o desenvolvimento das habilidades de Autoconhecimento, Adaptabilidade e de Aprimoramento contínuo. Esse modelo mental reflete o poder da liderança do futuro, quem carrega suas habilidades e atitudes intensificando as competências socioemocionais, os superpoderes mais bem reconhecidos nesse mundo em constante e rápida evolução.

As lideranças médias serão os agentes de mudança e transformação, a força motriz que promoverá a adaptação de seus times a engajarem os planos de ação táticos aprimorando os níveis operacionais, a fim de produzirem resultados sustentáveis para a organização. Por outro lado, nas empresas, as lideranças intermediárias precisam ser acolhidas a aceitarem as oportunidades para se tornarem membros indispensáveis e responsáveis pelo desenvolvimento de seus times em prol da empresa e da sociedade.

A jornada do líder AAA permitirá a conquista da valorização e o reconhecimento no mercado promovendo a relação positiva que agrega valor sustentável nas organizações.

Na era do conhecimento, o incentivo a ser adaptável a novos conteúdos, é um convite ao aprimoramento de novas habilidades. Entretanto, a atitude é que faz líderes a serem reconhecidos como líderes de alta performance. É preciso coragem para liderar e apoiar o desenvolvimento dos colaboradores, em prol de gerarem resultados sustentáveis sem o desgaste de uma ruptura emocional nos liderados. Líderes precisam ser treinados a mudarem a mentalidade dominante da liderança, desenvolvendo as competências socioemocionais que potencializam resultados, deixando de ser os melhores do mundo para se transformarem em ser melhores para o mundo.

Luciana Tannure
é especialista em estratégia de negócios, mentora empresarial e de desenvolvimento de lideranças, e palestrante. Board Member, Conselheira Consultiva certificada, Vice coordenadora da Comissão de Governança e Estratégia Empresarial pela Board Academy BR. Executiva com mais de 28 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais. Engenheira pela PUC-RJ com MBA em Gestão Empresarial pela FGV e pós-graduação em Finanças Corporativas e Sistemas de TI.
luciana.tannure@gmail.com


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