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Governança

PROPÓSITO, CULTURA & GOVERNANÇA: A ESSÊNCIA QUE CONDUZIRÁ AS EMPRESAS AO FUTURO

O mundo está em evolução com uma velocidade superior à que vivenciamos anteriormente. A transformação é rápida o suficiente para nos darmos conta de que há pouco mais de 3 anos possuímos hábitos e desejos diferentes dos atuais. E quem duvida que continuaremos em uma transformação constante? A realidade nos apresenta um dos momentos mais desafiadores dos últimos tempos. Estamos em transição entre os mundos VUCA e BANI. Ainda não saímos de um cenário de alta volatilidade, incerteza extrema, complexidade e ambiguidade e já vivenciamos um cenário permeado pela não linearidade, fragilidade, ansiedade e incompreensão.

Mundo Vuca e mundo Bani

Fonte: www.cofeci.gov.br/post/mundo-vuca-e-mundo-bani

As mudanças significativas trazidas pela pandemia Covid-19 em 2020, que foram mais aceleradas pelos atuais cenários político e macroeconômico nacionais e internacionais, direcionam os desafios do setor empresarial. Somos diariamente impactados pela larga e veloz profusão de dados, novas tecnologias e novos modelos de trabalho. Esse contexto exige adaptações na cultura organizacional das empresas sem necessariamente mudar valores considerados inegociáveis. Desafia-nos, constantemente, a pensar diferente, olhar através de novos prismas, ampliar a gestão de riscos, e estar mais ainda preparado para o futuro.

Do dicionário Michaelis, pela etimologia da palavra, cultura deriva do latim ‘cultura,ae’ que significa cultura moral e do espírito. Da sociologia, significa normas de comportamento, saberes, hábitos ou crenças que diferenciam um grupo de outro. A cultura organizacional é um conjunto de normas, valores e missão da organização que ajudam a guiar comportamentos e hábitos de trabalho dos funcionários. De forma prática e contextualizada às empresas, essencial é refletir sobre a relação intrínseca da cultura organizacional às pessoas e ao propósito da empresa.

Considerando o objetivo de direcionar os resultados sustentáveis e de valor para todas as partes interessadas, engajar pessoas é uma das mais difíceis tarefas, exigindo convergir valores e propósito dos colaboradores com o propósito da empresa, unificar valores que façam sentido mutuamente ao grupo de colaboradores, à sociedade e à empresa, englobando todos seus stakeholders. Nesse sentido, é pertinente adicionar relevância e iluminar a importância das Conversas de Cultura nas empresas.

Peter Drucker cita que “A cultura come a estratégia no café da manhã” considerando que não adianta ter uma estratégia perfeita se não for executada. Após tantos anos atuando em planejamento e projetos estratégicos, costumo sempre reforçar que entre a estratégia e os resultados, existem as pessoas, os colaboradores; e o engajamento do time é fundamental para que acreditem nas metas e resultados a serem sustentados. A cultura é a força mestra que conduzirá os colaboradores a estarem engajados, acreditarem e se preocuparem com o atingimento das metas e com o resultado. A cultura organizacional está diretamente ligada as pessoas e o pensamento estratégico deve ser permeado na organização, o que produzirá efeito na sustentação da empresa no longo prazo. Esse é o panorama que nos remete ao que realmente é importante para o negócio e ao que fortalecerá sua empresa para o futuro.

Há pouco mais de 6 anos, a Revista RI nº 207 (Out.2016) trouxe o tema da Governança Corporativa: Pratique ou Explique! por Lucia Rebouças. Nesse artigo, Oliver James Orton do IFC (International Finance Corporation) reforçou que “Uma boa governança corporativa começa com os valores e cultura de uma empresa, bem como o comprometimento da alta administração, que inclui o Conselho de Administração e a gestão sênior, e cada vez mais, os acionistas.” Apesar do mundo evoluir, essa é a essência e ficam os princípios. Naturalmente, as práticas de governança evoluíram a partir do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa – 5ª edição – IBGC e em breve teremos o lançamento da 6ª edição, a nova versão do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, mais inclusivo, menos prescritivo e mais focado nos princípios. Mesmo com o mundo se transformando muito rápido e que modelos ultrapassados estejam desmoronando, diariamente percebemos que das lideranças nas empresas, independentemente do porte, serão exigidas adaptações para aderirem às transformações oportunamente. Afinal, não poderemos nos colocar mais a frente sem pensar em novas práticas de governança.

Membros do conselho devem fornecer estímulos, meios e apoio para o desenvolvimento do pensamento estratégico não somente na alta direção, mas para todo o restante da organização. Uma das principais responsabilidades dos conselheiros é a de promover uma cultura capaz incentivar esse pensamento estratégico. Estimular conversas de cultura de forma a garantir a livre reflexão, produção de ideias sobre os negócios, inovação, disrupção, e a identificação antecipada de ameaças e oportunidades. Notadamente, incentivar, promover e garantir as conversas de cultura entre todos os níveis da empresa faz parte da responsabilidade do conselheiro como guardião da estratégia, removendo obstáculos e impulsionando a cultura para seguir ‘pari passu’ com a potencialização do pensamento estratégico em todos os níveis da organização.

É papel do conselheiro estimular a construção de uma “cultura do pensar estratégico aderente ao propósito, aos valores e a cultura das organizações”, criando melhores condições para enfrentar os desafios impostos por uma sociedade cada vez mais exigente em termos ambientais, sociais, tecnológicos e de governança.

Celebrar os 25 anos da Revista RI nos faz refletir sobre importância de se carregar um propósito forte no Brasil. O propósito de se manter como referência no mercado de capitais brasileiro - com foco nas Relações com Investidores, trazendo valores sólidos na mídia especializada e inovação em conteúdo com temas relevantes sobre comunicação corporativa, sustentabilidade socioambiental, governança corporativa, branding, criação de valor, orquestra societária, entre outros. Além dos temas, as experiências de empresas brasileiras e estrangeiras é essencial para a ampliação de conhecimento robusto no campo das relações com investidores. A Revista RI se renova periodicamente em conteúdo, diagramação e, de forma leve e prática, representa uma indispensável fonte de consulta e referência para os responsáveis pelas tomadas de decisões de investimentos em nosso país.

Reavaliar o que pode vir pela frente, buscar entendimento das tendências com toda a complexidade e desafios dos avanços nacionais e globais, seus impactos e riscos apresentados pelos novos tempos, passa a ser fundamental na promoção de condições íntegras de resiliência organizacional à luz do propósito, cultura e da visão estratégica e operacional. Pensar na criação de valor à sociedade e demais partes interessadas é um dos principais desafios dos líderes empresariais. É papel da governança corporativa, através de suas estruturas de conselho, promover a cultura da integridade, a ética verdadeira, confiança, inovação tecnológica e se necessário direcionar ajustes de mindset necessários na organização, valores primordiais na condução de negócios nos novos tempos, principalmente no Brasil.

A governança corporativa é o elemento primordial que engloba esta complexidade de forma íntegra. Nas empresas, assim como na vida, existem anos de ouro para rever as missões ou, oportunamente, adequar o propósito. Seja aos 25 ou 50 anos, ainda há muito futuro pela frente.


Luciana Tannure 

é engenheira formada pela PUC-RJ com MBA em Gestão Empresarial pela FGV e pós-graduação em Finanças Corporativas e Projetos e Gerência de Sistemas. Conselheira Consultiva certificada pela Board Academy BR, é advisor em startup. Executiva de Projetos Estratégicos na Vivo.
luciana.tannure@gmail.com


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