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O que parecia uma “nova onda”, virou motor de aceleração para resultados. A Inteligência Artificial deixou de ser assunto de laboratório, de feira de inovação ou de slide bonito, para virar infraestrutura. E quando algo vira infraestrutura, muda o jogo: muda produtividade, muda modelos de negócio, muda a forma como o valor é capturado - e, principalmente, muda quem sobrevive e quem lidera.
É por isso que “AI FIRST” não pode ser confundido com slogan. Não é sobre “usar IA” aqui e ali, nem sobre instalar uma ferramenta e chamar isso de transformação. “AI FIRST” é uma escolha estratégica: decidir que IA será o eixo de decisões, processos e crescimento, do backoffice ao conselho, do atendimento ao planejamento, do risco ao caixa.
AI First no contexto das empresas do mercado de capitais
AI First emerge como um imperativo estratégico para empresas de capital aberto, transcendendo o uso superficial de IA para posicioná-la como o núcleo propulsor de governança corporativa, inovação sustentável e maximização de valor para acionistas em bolsas como B3, NYSE e Nasdaq. É preciso concordar que, no ecossistema onde investidores demandam disclosure rigoroso via relatórios 10-K, DFs e calls trimestrais, esse paradigma alinha IA com métricas como EV/EBITDA, TSR e scores ESG, catalisando uma maturidade tecnológica que diferencia líderes de laggards (retardatárias).
Se você não sabe, o termo “AI First” surgiu na Google em 2016, com Sundar Pichai, atual CEO da Google, e evoluiu de testes iniciais de aprendizado de máquina para uma visão completa do negócio, completa mesmo, baseada em modelos como o de Maturidade da Gartner (5 níveis) e o da EY para IA generativa. Diferente de usos isolados de IA, aqueles no começo de 2020, o AI First incorpora não apenas algoritmos, mas os agentes de IA em todas as esferas estratégicas e operacionais, como análise de dados complexos e otimização automática de portfólios.
Qual a estratégica para as empresas Listadas?
Para empresas listadas, isso exige que a IA seja transparente e auditável, seguindo regras como SOX, CVM e GDPR, com técnicas de IA explicável para evitar riscos, seguindo os ritos já previsto No Projeto de Lei 2338/2023.
De 2020 a 2026, houve uma virada de chave: a IA saiu do “laboratório” (pilotos, PoCs, automações pontuais) e virou infraestrutura de gestão, como aconteceu lá atrás com ERP, cloud e analytics — só que bem mais rápido. O sinal mais claro desse salto é que muitas empresas passaram a escalar a IA para o dia a dia, ampliando o acesso de times inteiros a ferramentas aprovadas e usando IA para redesenhar processos e até reinventar produtos.
E, como tradição boa não morre: junto com a escala veio a cobrança de “fundação” - dados organizados, talentos e governança/ética - exatamente o tipo de evolução que modelos de maturidade empresarial (como o do MIT CISR) tentam capturar em estágios. Em resumo: não foi só crescimento; foi saldo gigantesco de capacidade competitiva para quem fez a lição de casa. (E para quem não fez… a IA não perdoa bagunça).
Modelos do MIT e Deloitte mostram que, em 2026, cerca de 70% das empresas do S&P 500 estão no estágio AI First, contra 40% na B3, medido por fatores como dados, talentos e ética.
| Estágio | Características Principais | Indicadores Financeiros Típicos linkedin+1 | % Empresas B3 (estimativa 2026) |
| Convencional | Projetos isolados, como chatbots simples | Gasto com IA <2% da receita; 10% de automação | 50% |
| AI First | IA em processos principais (riscos, preços) | Margem EBITDA +25%; acerto de previsões 60% | 35% |
| Nativa | IA generativa autônoma; modelos avançados | Retorno aos acionistas >20% ao ano; operações automáticas | 15% |
Para avançar, as empresas precisam de governança de dados, treinamento de equipes e infraestrutura em nuvem, reduzindo custos e aumentando investimento em tecnologia de ponta.
Benefícios comprovados e exemplos reais
Estudos da McKinsey (2025) indicam que o AI First aumenta o valor de mercado em 15-22%, graças a efeitos em plataformas digitais. Mas vamos falar de casos reais? No Brasil, o Nubank usou IA para aprovações de crédito e reduziu inadimplência em 40%, elevando seu valor para mais de R$ 200 bilhões. O Itaú aplicou IA em análises de clientes em 2025, melhorando lucros em tesouraria em 18%.
Na prática, porque esse artigo é importante para você?
Colocar IA na pauta de companhias abertas não é “moda de tecnologia”. É o mesmo tipo de decisão que, lá atrás, separou quem tratou ERP, controles, auditoria e governança como infraestrutura… de quem tratou como “projeto do TI”. E em mercado de capitais, todo mundo sabe: infraestrutura bem feita vira previsibilidade. Previsibilidade vira confiança. Confiança vira múltiplo!
Por que este artigo é importante para RI
Porque RI ocupa um lugar raro - e decisivo: é a ponte entre o que a companhia faz e o que o mercado entende. É o RI que transforma operação, tecnologia e risco em uma narrativa sustentada por evidências. E isso é coisa séria: são esses profissionais que preservam e sustentam a confiança de investidores, analistas e reguladores.
E, temas como IA é o tipo de tema que pune silêncio e improviso. Quando fica “sem tradução”, vira ruído: promessa sem métrica, inovação sem controle, eficiência sem explicação. E onde há ruído, o mercado costuma cobrar caro - em dúvida, em desconto e em pressão por mais transparência.
Glades Chuery
é especialista em Inteligência Artificial; partnership Manager AG Capital; e VP de Inovação da PUC Angels.
glades.chuery@potencialcompliance.com,