| Diversidade | Educação Financeira | Em Pauta | Em Pauta 2 |
| Enfoque | Espaço Apimec Brasil | Gestão | Governança |
| IBGC Comunica | IBRI Notícias | Opinião | Orquestra Societária |
| Ponto de Vista | Voz do Mercado |
Em um futuro próximo, a interação do profissional de Relações com Investidores com as ferramentas de IA (Inteligência Artificial) será cada vez mais decisiva para ampliar sua atuação e torná-la mais eficiente. O curso de IA para RIs do IBRI traz este e muitos outros insights
‘Para Glades Chuery, auditora líder da ISO/IEC 42001 (Sistema de Gestão em Inteligência Artificial), membro da Comissão de Educação e Inovação do IBRI e coordenadora da Comissão IBRI Mulheres, o ditado popular “Quem chega cedo, bebe água limpa” encaixa “perfeitamente na jornada do RI diante da IA: quem começa cedo não apenas aprende antes - organiza antes, governa antes e colhe valor antes”.
“Conhecimento nunca é demais. No fim do dia, o que define se você é um RI à frente do seu tempo é o quanto você colocou tecnologia dentro da sua trajetória - e o quanto elevou sua literacia tecnológica. Isso muda o jogo. E muda rápido”, afirma.
Na visão de Glades Chuery, o RI precisa assumir uma postura intencionalmente mais inovadora e transformar essa agenda em prática dentro da própria estrutura - não como discurso, mas como rotina. Isso passa por aprofundar a imersão em IA e ampliar repertório em tecnologia e inovação, pois “esse movimento acelera a trajetória do profissional e melhora a qualidade do que o mercado mais valoriza no RI: clareza, consistência e previsibilidade na comunicação”.
O ponto não é “substituir o trabalho”. É tirar atrito do que hoje consome energia. Relatórios, demonstrativos, consolidações, checagens, versões e reprocesso (aquele ciclo infinito de “manda a planilha atualizada… não, a outra…”) podem ganhar apoio de IA e de múltiplos agentes, com trilhas claras de validação e responsabilidade. Com isso, o RI recupera tempo e foco para o que realmente cria valor: pensar estratégia, qualificar interações e responder, com mais precisão, diferentes perfis de investidores, sem perder rastreabilidade, declara.
É aqui que entra um conceito-chave destacado por Glades: segregação de análises. Na prática, trata-se de separar o trabalho do RI em camadas que fazem sentido - e permitir que a IA acelere cada uma delas com controles adequados:
Dependendo da necessidade, a IA torna o processo do dia a dia mais organizado, reduzindo a rigidez típica de rotinas amarradas a planilhas e etapas manuais. Um exemplo comum: o RI recebe dados da controladoria e precisa transformá-los em dashboards (painéis de controle), muitas vezes conectados a diversas planilhas e bases. “Na maioria das vezes, ele faz isso de maneira manual, e o processo acaba ficando estático. Com as ferramentas certas, ele consegue alimentar planilhas e atualizar indicadores com muito mais velocidade”, afirma.
Para Glades Chuery, o grande ganho não é “fazer mais rápido”. “É criar tempo mental para o que é crítico — e, sobretudo, elevar a capacidade de leitura de risco – principalmente aquele que ninguém está levando em consideração. O grande ganho da IA, na minha opinião, não é só eficiência: é ter tempo para pensar em temas mais críticos. E muitas vezes ajudar na compreensão dos riscos, de forma preditiva. Então eu consigo fazer isso com análises relacionadas à própria inteligência artificial. Tem ferramentas para isso que não é o ChatGPT, mas são ferramentas preditivas, muitas vezes desconhecidas pelos RIs”, destaca.
“Essa visão conecta tecnologia com governança. IA não entra como ‘atalho’: entra como processo com controles - com responsabilidade clara, trilha de evidências, critérios de validação e uso adequado ao risco. Em outras palavras: a mesma disciplina que sempre sustentou confiança no mercado (método, consistência e prova) é a disciplina que precisa sustentar o uso de IA no RI — só que agora com mais velocidade e mais complexidade”, frisa.
“No fim, quem chega cedo ‘bebe água limpa’ por um motivo simples: não espera a pressão do mercado, do Conselho ou do regulador para aprender. Chega cedo para organizar a casa, governar o uso e transformar tempo operacional em tempo estratégico. E isso, em RI, é vantagem competitiva de verdade”, diz Glades Chuery.
Curso IA para RIs do IBRI
Pensando nisso, no segundo semestre do ano passado, o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores) lançou a primeira turma do curso IA Aplicada a Relações com Investidores. Dividido em dois módulos, o programa apresentou ferramentas de IA, casos de uso e oportunidades práticas para o RI extrair valor com mais método — e menos “tentativa e erro”.
“Mais do que ensinar a fazer um bom prompt — a instrução dada a um sistema de IA para executar uma tarefa — o ponto é saber qual ferramenta usar, o motivo para usá-la e, principalmente, qual dor ou desafio queremos resolver com IA. A partir daí, faz sentido escolher a melhor opção entre tantas disponíveis”, destaca Glades Chuery. que ministra o curso.
O curso começou no primeiro módulo com uma base mais introdutória e evoluiu gradualmente para um nível mais avançado, sempre ancorado em ferramentas já disponíveis no mercado. “Apresentei mais de dez ferramentas pragmáticas para eles”, esclarece Glades.
Já o segundo módulo, de acordo com ela, aprofunda a aplicação no contexto clássico de RI - com temas como valuation, análise de balanços e leituras que conectam dados a narrativas. “A ideia é fazer com que eles coloquem a mão na massa, mas também trazer governança de IA. Eu não posso simplesmente sair usando ferramentas sem que estejam homologadas ou validadas. Sempre reforço segurança da informação e guardrails (barreiras de proteção) necessárias para um uso correto, dentro das estruturas de governança de IA e de tecnologia. Esse é um ponto muito importante”, explica.
Impressões sobre o curso
Ian Nunes, head de Relações com Investidores da Tegma Gestão Logística, declara que o curso de Inteligência artificial do IBRI foi extremamente importante para se situar diante do tamanho dos desafios que os RIs têm. “Apesar de muito do nosso trabalho permanecer no feeling do dia a dia com investidores e o management das empresas, as tarefas cotidianas e maçantes podem ser potencializadas em eficiência e as tarefas criativas podem ser aprimoradas com ferramentas que transcendem o ChatGPT. Super recomendo!”, destaca.
Para Renata Oliva Battiferro, membro do Comitê Superior de Orientação, Nominação e Ética do IBRI, “o curso tem permitido aos profissionais de Relações com Investidores ampliar sua visão sobre as diversas possibilidades de aplicação da IA na área, otimizando processos e gerando insights valiosos para a tomada de decisão no dia a dia”.
Cuidados do RI ao usar IA
Para Glades Chuery, o primeiro cuidado do RI ao adotar qualquer ferramenta de IA é entender com clareza qual é a diretriz da companhia sobre o uso. “É um ambiente livre? Então é possível utilizar o que estiver à disposição. Se não for, a empresa precisa ter uma política amplamente divulgada para orientar e governar a utilização dessas ferramentas. A partir daí, o RI verifica quais soluções estão homologadas — e, normalmente, quem conduz esse processo é a área de Tecnologia, um time de governança de IA ou alguma estrutura equivalente”, explica.
Na visão dela, o RI precisa estar na linha de frente da inovação sem abrir mão do mesmo protagonismo em segurança da informação. “O maior risco é não conhecer o risco”, resume. Glades Chuery lembra que já houve casos de vazamento de dados decorrentes de brechas no uso de IA. “Houve, por exemplo, um caso envolvendo a Samsung, em que um segredo industrial acabou exposto e foi parar em mãos erradas. A partir daí, a IA passou a usar esse conteúdo como base para interações com profissionais técnicos. Isso é risco”, alerta.
Ela reforça ainda que utilizar IA para análises preditivas com bases ainda não publicadas também pode ampliar vulnerabilidades. “De novo: o maior risco é não conhecer o risco. E o RI é um dos maiores guardiões dos números da empresa”, conclui.
RI: o orquestrador dos números
Ao comentar como acredita que será a dinâmica do profissional de RI com a IA daqui a cinco anos, Glades Chuery é enfática: “O RI vai estar focado, essencialmente, em resultado, nas relações institucionais e no fomento de novas oportunidades. Os temas operacionais de elaboração de relatórios e informações a mercado — dados dos sistemas — tendem a estar plugados em múltiplos agentes de IA. Nesse cenário, ele vira o orquestrador do número: consolida, confere e valida”.
Segundo ela, “o RI será um agente inteligente na companhia, o que significa dizer que receberá isso de maneira muito mais assertiva e tempestiva dos sistemas, dos agentes ou dos múltiplos agentes, para decidir e ajudar na tomada de decisão com análise preditiva. E, além do número, ele também vai ser, mais do que nunca, responsável por gestão de risco”.
“O RI terá painéis e dashboards e dentro desses dashboards painéis com múltiplos agentes trabalhando nos números e em análises preditivas, bem como trabalhando com informações de mercado, plugando o que está acontecendo no mundo e como vai impactar os números da empresa ao final do dia”, declara. “Expectativa de dólar, de euro. Enfim, todas essas análises preditivas serão impactadas e o RI vai ter que ser um agente inteligente que orquestra tudo isso e entrega para a empresa e para os investidores o número”, opina.
“A multidisciplinaridade da área de RI vai se ampliar também. Porque terá que ver além do número, ou seja, terá que ter mais capacidades, habilidades, para ser agente inteligente orquestrador com tecnologia”, conclui Glades Chuery.
Sobre Glades Chuery
Glades Chuery é Auditora Líder da ISO/IEC 42001 – Sistema de Gestão em Inteligência Artificial, formada pela PUC-RS em Governança em AI, com MBA em Ciência de Dados pela USP/ESALQ e pós-graduação em Gamificação Empresarial. É formada em Administração, Contabilidade e Teologia, Conselheira Consultiva Certificada pela Celint (ConCertif) e Conselheira Fiscal pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Possui mais de uma década de experiência em administração, contabilidade, governança, riscos, compliance e investigações de fraude. Atuou em projetos de combate à corrupção de grande relevância nacional, criando mecanismos de Shadow Investigation. Sua trajetória inclui experiência em auditoria, consultoria, finanças corporativas e tributação. É sócia da plataforma de notícias AINEWS, membro emérito da PUC Angels, professora convidada da Trevisan Escola de Negócios, FIA e PUC Goiânia, além de coordenadora do livro “Mulheres na Inteligência Artificial” e do AI Summit Brasil, evento que reúne mais de 3 mil profissionais. Entre suas atuações adicionais, destacam-se:
Para fazer inscrição para a segunda turma do curso “IA para Relações com Investidores”, basta acessar o link abaixo. As aulas do primeiro módulo acontecem nos dias: 06, 13 e 27 de abril de 2026, a partir das 19h. As aulas são on-line.
Inscrições para o curso: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfqaVsGspb2YSVpkEpLjePk9pvMT-1JRJ2UjUp84pioy8KqDg/viewform