Orquestra Societária

REVISTA RI 28 ANOS: TRANSFORMANDO EMPRESAS, PROFISSIONAIS E O MERCADO DE CAPITAIS BRASILEIRO

Neste mês de março de 2026, a Revista RI - Relações com Investidores celebra 28 anos de uma jornada incrível, responsável, comprometida, premiada e consolidada como a principal e mais longeva publicação mensal do mercado de capitais brasileiro, através de artigos e entrevistas inéditas com profissionais nacionais e internacionais, matérias que marcaram época, trouxeram luz à assuntos polêmicos e muita inteligência à empresas e ao mercado!

Estiveram juntos por duas décadas, à frente da Revista RI, Ronaldo Nogueira e Ronnie Nogueira, pai e filho, ampliando horizontes, preconizando as melhores práticas em relações com investidores, governança e gestão corporativas, inovação, tecnologia, sustentabilidade, ESG, diversidade, equidade e inclusão, entre outros temas fundamentais às empresas e ao mercado.

Todos esses esforços tornaram a Revista RI referência indispensável para conselheiros de administração, consultivos e fiscais, executivos, investidores e profissionais de investimentos, além de especialistas, consultores, professores e alunos estudiosos de um complexo e fascinante ecossistema da economia brasileira.

Com muita coragem, atravessando diversas crises brasileiras, os editores vem mantendo as edições digitais e impressas – sendo esta, a de número 299 – por quase três décadas, ininterruptamente. A primeira edição, publicada em março de 1998, contou com William F. Mahoney, um dos maiores experts do planeta em Relações com Investidores, como editor internacional, que se uniu a Ronaldo e Ronnie para a criação da Revista RI.

Às vésperas da edição de número 300, a Revista RI segue mantendo sua criatividade, seu compromisso com a excelência, dando vida em suas páginas aos princípios da 6ª edição do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), publicado em 2023 (link ao final do artigo): integridade, transparência, equidade, responsabilização e sustentabilidade, que moldam as organizações que os praticam. E, mantendo parcerias com entidades de suma importância para empresas e o mercado, como IBRI, ABRASCA, IBGC, APIMEC, AMEC, CVM e 30% Club Brazil.

Em sua edição 269, celebrando as bodas de prata da publicação, Ana Borges descreveu a trajetória de sucesso da Revista RI e Sonia Consiglio entrevistou Ronnie Nogueira, publisher e diretor editorial. Ronaldo Nogueira estampou a capa da edição 216, em sua homenagem, e foi entrevistado na edição 55 por Ronnie Nogueira. Vale a pena ler de novo!

A conselheira editorial Sonia Consiglio, em depoimento, comemora este aniversário da Revista RI: "Uma história só é longeva se for consistente. A Revista RI prova isso da melhor forma: são 28 anos de jornalismo sério, inovador, ousado, responsável. É uma honra poder presenciar e participar desse caminho. Desejo vida longa à publicação, afinal, precisamos muito do seu relevante conteúdo!"

Nesta edição que marca os 28 anos da Revista RI, a coluna Orquestra Societária também celebra 12 anos ininterruptos de contribuições para os conceitos que gravitam em torno da excelência em gestão, responsável pela materialização da estratégia em resultados longevos, com temas corporativos e acadêmicos permeados por cases e entrevistas com referências nacionais e internacionais, em mais de 120 artigos publicados.

Temos desenvolvido para os leitores os conceitos de Orquestra Societária, Modelo de Gestão Sustentável (MGS) e Sinfonia Corporativa, por meio de uma arquitetura organizacional ampliada dos conceitos originais do Star Model de Jay R. Galbraith, tratando das dimensões estratégia, estrutura, processos, projetos e pessoas & cultura, governadas pelos conselhos administrativos e diretorias executivas e viabilizados, na prática da gestão, pelo MGS e sua caixa de ferramentas.

Compromisso com as melhores práticas de governança corporativa
Governança corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, com vistas à geração de valor sustentável para os sócios e a sociedade, conforme define a 6ª edição do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC, citado anteriormente.

Desde 2024, o IBGC é comandado por Valeria Café, que completará 10 anos no Instituto, sob a atuação atenta de seu conselho de administração, presidido por Deborah Patrícia Wright, com mais de 18 anos na Instituição, orquestrando uma equipe excepcional de profissionais, colaboradores e membros. A parceria com a Revista RI perdura por todos os anos de existência da publicação.

Não poderíamos deixar de citar, na presente edição, uma personalidade de referência do IBGC, que completará 31 anos de fundação em novembro deste ano: Bengt Hallqvist, sueco, formado na Harvard Business School e, em 2005, agraciado em Londres com o ICGN (International Corporate Governance Network) Award, prêmio mais importante no cenário internacional da governança corporativa.

Bengt morou no Brasil por mais de 30 anos, tendo residido na Alemanha, Inglaterra, nos Estados Unidos, no México, na Argentina, Colômbia e em Portugal. Foi o principal articulador e executor da fundação do IBGC, juntamente com João Bosco Lodi, e o primeiro presidente de seu conselho de administração (1995-2001). Suas atividades e as do IBGC se confundem com a própria história da governança corporativa no Brasil. Foi um executivo e conselheiro diferenciado, com uma trajetória marcada por enorme persistência, paixão e coragem, sempre com notável cordialidade.

Bengt Hallqvist foi entrevistado na edição número 30 da Revista RI (agosto/2000), estampando sua capa, e suas contribuições permanecem fundamentais às empresas e ao mercado de capitais brasileiro. Ele era uma referência, pois participara, até então, de aproximadamente 50 conselhos de administração em vários países.

Destacamos alguns trechos relevantes de sua entrevista (Revista RI - Ago.2000 - ed. 30), que permanecem válidos após quase 26 anos:

  • Para um mercado de capitais ativo, é importante que o direito de propriedade seja respeitado, não importando se o acionista é grande ou pequeno. Isso se traduz no conceito de “uma ação, um voto”.
  • Os principais fatores que impedem a boa governança corporativa em uma empresa são de ordem legal, de educação e de conhecimento, do pequeno número de investidores no Brasil e do estágio de desenvolvimento da economia nacional.
  • Em consequência do ativismo, os conselhos foram praticamente obrigados a ser mais ativos, mais eficientes na criação de valor para os acionistas. Não podem se limitar a quatro reuniões por ano, com duração de 8 a 10 horas.
  • Se o ERI promover e mostrar que a empresa cumpre três funções básicasfairness, transparência e accountability – desempenhará muito bem seu papel. O principal executivo de RI deve ser o chairman ou o presidente da empresa.

Destacamos, além das brilhantes profissionais citadas, outras duas igualmente admiráveis, que foram entrevistadas por esta coluna: Sandra Guerra, cofundadora do IBGC, premiada pelo ICGN Award em 2024, com mais de 11 anos de atuação no IBGC, primeira presidente mulher de seu conselho de administração, e Heloisa Belotti Bedicks, ex-diretora geral, com quase duas décadas de atuação combativa e inúmeras realizações de peso em prol do Instituto.

Em tempo, destacamos que no início de 2025, Luiz Martha, diretor de conhecimento e impacto do IBGC, passou a representar a Instituição em um grupo focado em troca de experiências e perspectivas em governança no comitê da ICGN.

Em depoimento, Valeria Café, diretora-geral do IBGC, que assumiu como vice-presidente da GNDI (Global Network of Director Institutes) em janeiro deste ano, homenageou a Revista RI:

“Ao completar 28 anos, a Revista RI consolida um papel fundamental na maturidade do mercado de capitais brasileiro. Ao longo de sua trajetória, a revista tem sido uma ponte qualificada entre os profissionais de Relações com Investidores, o mercado financeiro e o debate contemporâneo sobre governança corporativa, evidenciando que a governança vivenciada no dia a dia das organizações - e não apenas declarada - é um vetor essencial de longevidade, redução de riscos e geração consistente de valor. Essa contribuição contínua ajuda a formar profissionais mais preparados e empresas mais responsáveis, resilientes e sustentáveis”.

Deborah Patrícia Wright, presidente do conselho de administração do IBGC, lidera há mais de 35 anos transformações intensas em empresas líderes de mercado em setores como bens de consumo, varejo, mídia, comunicações e fundações. Ela atua há mais de 20 anos em conselhos de administração e, por 15 anos, ocupou posições de presidência executiva em multinacionais e em grupos familiares de grande porte. Deborah celebra os 28 anos da Revista RI:

“A Revista RI é diferenciada, ocupa um espaço único no mercado de publicações. Ela se dedica a editar assuntos relevantes para conselheiros, CEOs, diretorias executivas C-level, investidores, acionistas, empresários. Está sempre à frente e dá espaço em “real time” para o que está sendo debatido de mais atual em governança corporativa. O IBGC tem orgulho da parceria que foi construída com a RI, que se fortalece a cada ano.
Parabéns, Ronnie Nogueira, há 28 anos nos brindando com o melhor conteúdo relacionado ao mercado de capitais brasileiro!”

Mas afinal, qual é o nível de compromisso da Revista RI com as Melhores Práticas de Governança Corporativa?
O fiel compromisso da Revista RI com as melhores práticas de governança está refletido nas estatísticas, que são claras e demonstram, com pautas críticas e, sem medo de ferir sentimentos, o alicerce dos valores da verdade dos fatos e dados, comprovadas pela análise de uma pequena amostra recente: Nas cinco últimas edições da Revista RI (294 a 298), a palavra governança foi citada, respectivamente, 101, 41, 58, 85, 98 vezes. Na edição 269 – na celebração dos 25 anos da Revista RI, a governança foi citada 156 vezes.

Como números são números, frios, e não demonstram a real qualificação desse comprometimento, a Revista RI segue fortalecida com sua parceria com o IBGC, por meio de sua seção: IBGC Comunica.

Não poderíamos deixar de aproveitar esta edição de homenagem à Revista RI para discorrer brevemente sobre governança corporativa, um de nossos principais focos, expresso de maneira clara na Orquestra Societária, no Modelo de Gestão Sustentável (MGS) e na Sinfonia Corporativa, antes mencionados. Nesse sentido, sugerimos aos interessados que releiam o artigo Da governança à sinfonia de resultados sustentáveis (edição 288).

Governança corporativa como campo de estudo
Como campo teórico de estudo (não necessariamente de uso da expressão corporate governance), a governança corporativa é recente. Emerge nas últimas três décadas do século XX, em resposta ao fortalecimento dos mercados de capitais, à complexidade das corporações e à separação entre propriedade e gestão.

Seu marco conceitual inicial, cuja semente fora lançada por Adolph Berle e Gardiner Means na obra The Modern Corporation and Private Property (1932), reside na Teoria da Agência de Michael Jensen & William Meckling, exposta no artigo seminal denominado Theory of the Firm: Managerial Behavior, Agency Costs and Ownership Structure (1976), que evidenciou o conflito entre acionistas e administradores.

Adiante, a governança incorporaria a responsabilidade social e a sustentabilidade, consolidando-se como eixo estratégico das organizações no século XXI.

No Brasil, nas décadas de 1990 e futuras, códigos de boas práticas e recomendações institucionais, como aqueles publicados pelo IBGC, deram solidez e legitimidade à governança como disciplina aplicada. O último foi citado acima: a 6ª edição do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC (2023).

Voltando mais no tempo sobre governança
Desde o surgimento do capitalismo, governança corporativa, de forma mais estruturada, habita nas relações comerciais. Com a Grande Depressão de 1929, que se estendeu até o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, debates calorosos foram realizados, no que tange aos direitos e obrigações de acionistas e administradores, donos e gestores de empresas em geral, com muitas decisões controversas envolvendo esses públicos.

Somente na década de 80, o tema governança corporativa ganhou mais robustez, pois os investidores, principalmente dos EUA, exigiam mais controle sobre os gestores, maior transparência e melhores resultados. A expressão foi popularizada mundialmente, a partir de 1990, disseminado por instituições como o Banco Mundial e a OCDE, mostrando a importância da governança em todos os setores da economia – comércio, indústria, financeiro e de serviços.

No Brasil, governança corporativa ganhou mais destaque com a fundação do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em 1995. O primeiro Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa foi lançado em 1999, sob o experiente comando de Bengt Hallquivist, citado anteriormente, entrevistado por esta Revista.

A evolução da governança no Brasil pode ser destacada de modo bem simples.

Nos anos 1990, com a abertura do mercado brasileiro ao capital estrangeiro, surgiram várias exigências, como maior transparência e adoção de práticas internacionais.

Nos anos 2000, crises e escândalos financeiros, notadamente os da Enron, em 2001, e WorldCom, em 2002, aceleraram a criação de regras mais rígidas e maior controle, com destaque para a Lei Sarbanes Oxley de 2002, que buscou aprimorar a governança de companhias com ações negociadas nos EUA.

Atualmente, o foco está na sustentabilidade e práticas ESG – Environmental, Social and Governance; em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Em resumo, os estudos acadêmicos no Brasil existem há cerca de 30 anos, em linhas gerais, nos EUA e Europa, governança corporativa está em pauta há mais de 50 anos.

Dito isso, e de forma provocativa, perguntamos aos leitores:

  • Se são identificadas as melhores práticas de governança nos EUA e Europa (há cerca de 50 anos) e no Brasil (há cerca de 30 anos), por que ainda ocorrem escândalos – a exemplo dos recentes em nosso País – em empresas dos setores público e privado, nacionais e internacionais? 
  • Quantos problemas poderiam ser resolvidos com a implementação de melhores práticas de governança nestas empresas?
  • Qual é o verdadeiro propósito das práticas de governança nas empresas: cumprir normas ou proteger valor no longo prazo? 
  • Quantas decisões arriscadas têm sido tomadas por empresas supostamente bem governadas?
  • Quantas vezes por ano conselhos de administração de empresas têm apresentado questionamentos mais profundos ou solicitado maiores informações? 
  • Quantas vezes por ano a gestão das empresas tem ajustado rotas antes de eventuais problemas?
  • ESG é estratégia ou seguro reputacional?  
  • Conselhos de administração estão realmente preparados para decisões impopulares?
  • Há independência real para confrontar o CEO? 
  • Métricas ESG impactam bônus ou apenas relatórios?
  • Accountability inclui desligamento de lideranças quando há incoerência? 
  • Estamos ampliando responsabilidade ou, no fundo, o discurso corporativo se trata apenas de meras narrativas?

Nas últimas décadas, estruturas robustas de governança no Brasil e no mundo foram consolidadas. No Brasil, como citado, Instituições como o IBGC, a CVM – Comissão de Valores Mobiliários – e a harmonização das normas contábeis, de acordo com o IFRS – International Financial Reporting Standards e, recentemente, ISSB – International Sustainability Standards Board – elevaram o padrão de transparência e disclosure: os relatórios evoluíram; as métricas sofisticaram; a agenda ESG ganhou centralidade estratégica; disclosure não é consequência; compromisso público não é decisão difícil.

Então, com toda essa evolução: o verdadeiro teste de efetividade da governança acontece quando:

  • metas climáticas pressionam margens de curto prazo;
  • riscos socioambientais exigem rever modelo de negócio;
  • conflitos éticos confrontam resultados financeiros; e
  • cadeias de fornecedores impõem decisões impopulares.

Se metas ESG não impactam remuneração variável, se conselhos não enfrentam a gestão, se falhas graves não geram consequência real, então, não estamos falando de accountability.

A comunicação deve ser estratégica e clara, pois o mercado distingue bem: investidores sofisticados observam coerência, reguladores elevam exigências e a sociedade amplifica inconsistências em tempo real.

No setor público, os desafios também são tremendos, pois sem continuidade administrativa, sem responsabilização individual clara, sem proteção institucional contra interferências políticas espúrias, o público stakeholder mais importante do Brasil – os cidadãos brasileiros – podem ter direitos fundamentais violados e seus patrimônios comum e individual espoliados.

Ainda sobre governança
A evolução da governança corporativa vai além da linha regulatória e normativa, abrangendo aspectos comportamentais, com conselhos administrativos dispostos a assumir custos de curto prazo para longevidade das companhias, executivos avaliados por risco sistêmico, não apenas por EBITDA, com visão de curto prazo, e a transparência acompanhada de ação e resultados – planejados versus realizados, com velocidade de resposta para performance abaixo da esperada.

Governança nunca foi sobre eliminar riscos, mas sim, sobre assumir responsabilidades. E essa distinção começa, inevitavelmente, na sala do conselho. Como dissemos, nos últimos 30 anos, o Brasil consolidou marcos relevantes de governança com o apoio do IBGC, da CVM e de outros agentes do mercado, criando códigos, fortalecendo conselhos, estruturando comitês e ampliando o disclosure.

Cumprir norma é o mínimo e significa que é necessário atender a exigências regulatórias, produzir relatórios adequados, demonstrar aderência formal. Mas é preciso – e sem isso, não existirá empresa! – gerar valor a longo prazo, o que exige enfrentar riscos antes que se tornem crises. E é necessário contrariar interesses de curto prazo, tomar decisões impopulares e responsabilizar lideranças quando necessário.

De novo, a diferença aparece na sala do conselho, quando: as metas pressionam margens; os riscos climáticos impactam o modelo de negócio; os conflitos éticos envolvem lideranças estratégicas; há simetria de informação entre gestão e conselho; quando a governança deixa de ser estrutura e vira conduta ética.

O que diferencia as organizações maduras é quando uma decisão necessária, que reduz o resultado de curto prazo, é sustentada pelo conselho. Governança serve ao valor e não à norma, vai além do compliance: é sobre responsabilidade, pois se normas criam limites, governança protege longevidade. E esta inicia sua jornada quando o conselho entende que seu dever não é agradar o presente e, sim, garantir o futuro, a longevidade dos negócios.

Governança eficaz atua antes do problema virar manchete – a governança bem-sucedida é invisível! Ela funciona: quando um investimento arriscado é vetado antes da exposição excessiva; quando uma aquisição é revista antes de destruir valor; quando um conflito de interesses é tratado antes de virar crise reputacional; quando um risco climático é internalizado antes de gerar perda material; e, quando um desvio é interrompido antes de se tornar escândalo.

A boa governança está estruturada quando a educação e gestão do conhecimento são colocados como fundamentais, quando o Modelo de Gestão Sustentável (MGS) está efetivamente implementado. Mesmo em mercados maduros, temos visto escândalos corporativos acontecerem, que se tornam símbolos de falhas da governança corporativa. Muitas organizações adotam “governança de checklist”, mas não desenvolvem cultura de accountability – a estrutura existia, o que falhou? A independência, o comportamento ético, o monitoramento e a fiscalização efetiva.

O que não se torna símbolo são as milhares de decisões prudentes tomadas em conselhos ao redor do mundo, muitas delas orientadas por melhores práticas de governança corporativa.

Então, podemos afirmar com segurança que empresas com práticas maduras de governança tendem a: reagir mais rápido a crises; ter menor volatilidade em eventos extremos; acessar capital com maior previsibilidade e menor custo; e preservar reputação em momentos críticos. Ou melhor dizendo, o maior impacto da governança não está no que aconteceu e, sim, no que deixou de acontecer.

Governança madura é a arte institucional de dizer “não” antes que o mercado diga. Quando perguntamos a nós mesmos quantos problemas foram evitados com boas práticas de governança corporativa, estamos tocando no ponto essencial: governança não é custo, é seguro de longevidade. E como todo seguro eficaz, seu maior valor aparece quando quase ninguém percebe que ele existiu.

Nunca saberemos exatamente quantos problemas foram resolvidos por meio das boas práticas de governança corporativa nas companhias que operam no Brasil. E isso não significa necessariamente fraqueza do sistema ou falta de transparência corporativa. Talvez precisemos reforçar, em nosso País, sistemas estatísticos que possam nos dar mais informações sobre o governo das empresas.

Por que governança corporativa é tão importante para o mercado de capitais?
A resposta mais objetiva reside na entrevista de Bengt Hallqvist, realizada na edição 30 (ago/2000) desta Revista RI, quando ele presidia o conselho de administração do IBGC – entrevista essa mencionada inicialmente. Bengt ali destaca pontos de sua visão sobre temas caros para as empresas e o mercado de capitais brasileiro, como respeito à propriedade (uma ação, um voto), conselhos de administração ativos, comprometidos com a geração de valor a longo prazo, e a importância dos profissionais de relações com investidores. Tudo isso continua totalmente atual.

Compromisso com as melhores práticas de relações com investidores
A relação da Revista RI com as melhores práticas de relações com investidores precede sua existência, pois está relacionada ao envolvimento de seus fundadores: Ronaldo Nogueira, Ronnie Nogueira, e o futuro editor internacional, William F. Mahoney com a ideia de criar no Brasil uma entidade nos moldes do NIRI – The Association for Investors Relations, para reunir profissionais de Relações com Investidores, com o nome ABRI – Associação Brasileira de Relações com Investidores, registrado no INPI.

A “semente” deste projeto, hoje IBRI, nasceu na sede da IMF Editora no Rio, onde os “estatutos” do NIRI foram traduzidos e adaptados para o Brasil. E lá vão quase 30 anos!

São muitas homenagens e histórias para contar desta parceria de quase três décadas, das quais compartilhamos algumas, em breves depoimentos que colhemos em breve entrevistas com:

Luiz Roberto Cardoso, economista, preside o IBRI – Instituto Brasileiro de Relações com Investidores –, posição que ocupa há cerca de três anos, após uma trajetória de 26 anos como Superintendente da Instituição, período em que esteve continuamente à frente de suas atividades executivas e do fortalecimento da agenda de Relações com Investidores no Brasil. Ao longo de sua carreira, foi Superintendente da ABRASCA (Associação Brasileira das Companhias Abertas) e atuou como Gerente Educacional da BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo) e da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), contribuindo para iniciativas de formação, capacitação e disseminação de melhores práticas no mercado de capitais brasileiro (link da estrutura organizacional do IBRI ao final do artigo).

“É com grande alegria que o IBRI celebra os 28 anos da Revista RI. A história da publicação e do Instituto se entrelaçam com a do mercado de capitais brasileiro. Compartilhamos das mesmas motivações e ambições: o desenvolvimento do nosso mercado de capitais e, consequentemente, a valorização do profissional e da área de RI. Ao longo dos anos acompanhei com satisfação a transformação da Revista RI em uma arena de debates sempre à frente do seu tempo, seja propondo discussões relevantes para a área e o profissional de RI, como antecipando tendências e debates”, declara Luiz Roberto Cardoso, diretor-presidente do IBRI.

Renata Oliva Battiferro, executiva sênior com mais de 20 anos de experiência em relações com investidores, governança corporativa e comunicação estratégica, co-head do Investors Group do 30% Club Brazil e membro do Comitê Superior de Orientação, Nominação e Ética do IBRI, ao lado de alguns de seus ilustres integrantes, Alfredo Egydio Setubal, Geraldo Soares Leite Filho, Luiz Fernando Rolla e Maria Helena Santana.

"A Revista RI me acompanhou em todas as minhas fases profissionais, desde o Unibanco, como analista de RI, à diretora de RI de outras companhias, até minha participação no Conselho de Administração do IBRI, onde tive a honra de exercer a presidência neste último biênio (2024 a 2025). Para mim, a Revista RI é como fonte de informação de alta qualidade e excelência, dedicada aos profissionais de Relações com Investidores. Por onde passei, mantive comigo suas edições impressas, consideradas quase uma "enciclopédia" de conteúdos relevantes ao longo de mais de duas décadas. É um prazer prestar esta homenagem, pois a Revista RI esteve e está comigo em todos os estágios de minha vida profissional! Ela reúne matérias atuais do mercado de capitais, dissemina melhores práticas de RI para os profissionais, compartilha as experiências e referências de outras companhias. É um polo de artigos pertinentes, relevantes de RI e do mercado de capitais. Em um ambiente que exige confiança, credibilidade e capacidade de diálogo qualificado com os investidores, a Revista RI é uma referência em temas complexos, com análise aprofundada sob diferentes perspectivas, calibrando provocações e visões que complementam e fortalecem a atuação dos profissionais de Relações com Investidores."Renata Oliva Battiferro, membro do Comitê Superior de Orientação, Nominação e Ética do IBRI.

Renata Oliva, em coautoria com Mara Limonge, vice-presidente da APIMEC, em recente artigo na Revista RI, edição 296, fala sobre Regime Fácil: O “Fácil” que exige o difícil do diretor de relações com investidores, em que a CVM reforça o processo de simplificação, substituindo as formalidades por comportamento responsável, saindo do foco de cumprimento mecânico das regras para transparência, coerência e tempestividade, o que requer maturidade, na linha do que comentamos em melhores práticas de governança corporativa. 

Destacamos neste artigo de Mara e Renata: “Vale reforçar que a credibilidade é cumulativa e silenciosa. Leva tempo para se consolidar, mas se perde em um instante. Por isso, o desafio do DRI é ser, todos os dias, o guardião dessa confiança – a mesma que torna o Regime Fácil não apenas possível, mas verdadeiramente sustentável.”

O universo de RI abrange uma complexa cadeia de valor, que vai desde o regulatório à extraordinária comunicação assertiva, responsável, clara e técnica, com atuação estratégica. A Revista RI tem demonstrado a capacidade de orquestrar todos estes temas com maestria e de se tornar, cada vez mais, uma referência indispensável de leitura para os profissionais que querem se manter atualizados, bem-informados e conectados com as referências do mercado de capitais nacional e internacional e todos os demais temas relevantes. Isso, como dizia Ronaldo Nogueira, requer educação para que o profissional de RI entenda sua principal função: criar valor para a companhia!

Por fim, reproduzimos o pensamento prático de William Mahoney, em entrevista à edição número 01 da Revista RI:

“Melhor informação leva o investidor a conhecer melhor a companhia, o que leva, necessariamente, a maiores valorizações do papel (nos mercados interno e externo), o que atrai maior número de parceiros, permitindo, portanto, que a companhia possa captar maior volume de recursos no mercado, com o que estaria habilitada a desenvolver”.

Compromisso com a excelência em temas do mercado de capitais brasileiro e internacional
A Revista RI, em suas publicações mensais, no total de 10 por ano, completa, aos 28 anos, 299 edições ininterruptas, que reúnem visão estratégica de empresas e do mercado de capitais, com conteúdo atual, tendências nacionais e internacionais baseadas em melhores práticas, compartilhadas por profissionais que têm autoridade sobre os conteúdos publicados e equipe especializada, incluindo seu Conselho Editorial.

Convidamos os nossos leitores a explorarem suas edições atuais e as anteriores, que são verdadeiros tesouros de conhecimento!

Finalizamos com gratidão pela jornada incrível juntos na Revista RI, proporcionada pelo amigo Ronnie Nogueira, que sempre, com sabedoria e generosidade, nos apoiou em todos os nossos projetos, que envolvem mais de 120 artigos publicados, o livro Orquestra Societária – A Origem, lançado no final de 2018, pela Editora Sucesso, além de pesquisas de mestrado e doutorado realizados!

Nas páginas desta Revista RI, reside parte preciosa das nossas trajetórias profissionais de mais de 40 anos de experiência corporativa em grandes organizações nacionais e internacionais


Cida Hess
é Assessora da Presidência da Prodesp em Negócios Estratégicos. Head of Innovation and Technology Committee of 30% Club Brazil. Tem atuado como conselheira fiscal e consultiva. Doutora em Sustentabilidade (UNIP/SP). Há mais de 30 anos atua em projetos de transformação de negócios, inovação e sustentabilidade. Coautora de diversos livros. Colunista (desde 2014) e Conselheira Editorial (desde 2023) da Revista RI.
cidahessparanhos@gmail.com

Mônica Brandão
é Assessora da André Mansur Advogados Associados. Tem atuado como conselheira administrativa, fiscal e consultiva em organizações e integra o conselho consultivo da Orquestra Societária Business® (OSB). Mestre em Administração, graduada em Engenharia Elétrica e Direito (PUC Minas), com cursos no Brasil e no exterior. CNPI-P pela Apimec. Coautora de diversos livros. Colunista (desde 2008) e Conselheira Editorial (desde 2023) da Revista RI.
mbran2015@gmail.com

José Carlos Paranhos
é CEO da Orquestra Societária Business (OSB), que analisa a maturidade da gestão de empresas e, há mais de 10 anos, desenvolve técnicas para construir Modelos de Gestão Sustentável (MGS). Tem atuado como conselheiro, consultor e mentor de organizações e profissionais no mercado nacional, com foco na transformação da performance dos negócios. Colunista da Revista RI (desde 2026).
jcparanhos@yahoo.com


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